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O Sevilla e uma Liga Europa pra chamar de sua

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O Sevilla conquistou sua sexta Europa League. De longe o maior campeão do torneio. O que está por trás desse sucesso? Esse texto vai contar a história das conquistas anteriores, o caminho para o título sobre a Inter e, claro, o papel de um dirigente que parece ter sido feito para o clube.

O início da trajetória e a história de Puerta

O primeiro capítulo da história do Sevilla na Sevilla Lea… digo, Europa League, ocorreu já neste século, na temporada 2005/2006. E começou logo depois de um título do seu rival Bétis, que conquistou a Copa do Rei de 2004/2005, depois de 28 anos. Foi um inferno na vida do torcedor sevillista, já que o título foi no conquistado no ano do centenário do Sevilla.

Foi nesse contexto que o Sevilla começou a temporada 05/06 – mordido pelo título do rival e pressionado a ter uma conquista a qualquer custo. É bem verdade que seu torcedor usava a desculpa que o centenário era na temporada 05/06 e não na 04/05 (era na verdade no ano de 2005)  – o que não colava, evidentemente.

Para o Sevilla, que não tinha muitas chances contra os gigantes em La Liga, restava tentar o sucesso na Copa do Rei ou na ainda chamada Taça da Uefa. Na primeira possibilidade, fracasso logo na entrada. Nas oitavas de final (a equipe entrava direto nesta fase da competição) foi eliminada pelo Cadiz por 3×2. A Taça da Uefa era o que restava para que não se concretizasse o fracasso do ano do centenário.

Cabe mencionar que o Sevilla só se classificou para a Taça da Uefa graças a um sexto lugar na temporada anterior, garantido por um gol de um tal Sergio Ramos contra o Real Madri – clube em que, mais tarde, jogaria e marcaria época.

E deu título! O jogo mais marcante daquela conquista foi o segundo da tensa semifinal contra o Schalke 04. Em 27 de abril de 2006, no Sanchez Pizjuán, depois de um 0x0 no tempo normal (repetindo o placar da ida na Alemanha), o jogo já se encaminhava para o segundo tempo da prorrogação. A tensão era absoluta no estádio até o centésimo minuto. Antonio Puerta, um sevilhano revelado na base do clube, colocou os rojiblancos na frente, numa paulada de esquerda que morre no canto do gol. O placar final estava sacramentado e o Sevilla chegou à sua primeira final. O clube conquistou a taça com classe, numa vitória bem mais simples: um passeio sobre o Middlesbrough, por 4×0.

O gol da semifinal é tido como um dos gols mais importantes da história sevillista. Basta ver a catarse que ocorre após o gol, com direito a gente pulando da arquibancada e tudo mais.

O mesmo Antonio Puerta marcou, no ano seguinte, o gol decisivo na disputa de pênaltis que deu o bicampeonato ao clube, diante do Espanyol. Assim, consolidou ainda mais seu nome na história do clube. Puerta morreu tragicamente no primeiro jogo da temporada 07/08, contra o Getafe, vítima de parada cardíaca. Na curta carreira se eternizou no clube, sendo velado no Ramón Sánchez Pizjuán.

Antônio Puerta tornou-se uma legenda do Sevilla. FOTO: Mundo Deportivo

Os bastidores da conquista: preparando mais um título

Voltando aos tempos atuais, quem voltou ao clube para esta temporada foi Ramón Rodríguez Verdejo, o Monchi, diretor que encabeçou os anos vitoriosos do Sevilla neste século. Jogador de carreira discreta, inclusive ex-goleiro do clube, Monchi se notabilizou pela carreira como diretor que iniciou a ultima geração vencedora dos rojiblancos. Sua fama veio da época que montou o time que conquistou o bi da taça da Uefa, que citamos anteriormente, e depois o tri da Europa League de 14 a 16. E isso sem grandes investimentos. Usando a base e capitaneando um excelente serviço de recrutamento, que descobre pechinchas que chegam e se destacam no clube, Monchi criou fama como dono de um certo toque de Midas no mercado.

Com ele chegaram nomes como os brasileiros Renato, Daniel Alves, Júlio Baptista, Adriano e Luis Fabiano e outros destaques como Frédéric Kanouté se juntando aos talentos da base Sergio Ramos, Jesús Navas, Antonio Puerta e Reyes na primeira versão vencedora dos andaluzes. Depois uma nova baciada de contratações que renderam o tri com nomes como Ivan Rakitic, Geoffrey Kondogbia, Carlos Bacca, Kévin Gameiro e Vitolo. O toque de midas funcionou de novo.

Os títulos das temporadas 13/14, 14/15 e 15/16 foram impressionantes, dado o domínio que o clube demonstrou na competição. No primeiro, o clube impediu o fim da maldição que Bela Guttman lançou sobre o Benfica. No segundo, não deixou o Dnipro conquistar o maior título de sua história. Por fim, venceu com autoridade o Liverpool, que iniciava uma caminhada que hoje já sabemos onde deu.

Voltando ao “toque de Midas”, ao menos funcionava no Sevilla. Após esse período, Monchi partiu para a Roma e tentou aplicar o mesmo conceito. O resultado foi um fracasso retumbante, com diversos jogadores que não renderam e não levaram a grandes vendas. Pode-se destacar a campanha da Roma semifinalista da Champions, é verdade. No fim, a cobrança e uma relação desgastada, que rendeu até a saída das bandeiras romanistas, Totti e De Rossi, levou Monchi a deixar o clube e retornar ao Sevilla.

Monchi: o diretor que colocou o Sevilla nos trilhos da vitória.
Monchi: o diretor que colocou o Sevilla nos trilhos da vitória. FOTO: Sevilla FC

Trouxe com ele Julen Lopetegui, um treinador que buscava um recomeço após a conturbada saída da seleção espanhola – um dia antes da estreia da Copa do Mundo. E, claro, após a saída do Real Madrid, num fracasso absoluto na tentativa de renovação do clube.

O novo projeto de Monchi no Sevilla surgiu para ele como uma oportunidade de apagar essa imagem e voltar ao status de técnico promissor. O histórico de trabalho com jovens de Lopetegui seria necessário ao Sevilla. A revolução, bem ao modo de Monchi, foi geral. Mais de 20 jogadores saíram e 16 chegaram, a ponto de 9 dos 11 titulares da final da Liga Europa terem chegado ao clube na atual temporada.

Velhos conhecidos retornaram para ajudar a formar a equipe, como Jesus Navas e Ever Banega, assim como alguns achados. Se destacaram, principalmente na linha defensiva, Diego Carlos e o jovem Jules Kounde e o emprestado Reguillón. Teve em Ocampos, Óliver Torres e Banega a qualidade no meio campo e com isso formou-se um time de certa solidez defensiva e boa capacidade física. Atributos importantes, por exemplo, para passar pelo Manchester United na semifinal, mesmo sem ter o domínio do jogo.

O mundo deu voltas e Lopetegui e Monchi conseguiram montar uma equipe vencedora que fez valer a tradição e histórico rojiblanco na Liga Europa.

A final e a consagração do dono da Europa League

Não vale muito a pena contar o que foi essa competição desde o começo, muito pelo fato da primeira parte ter sido toda mudada, principalmente no formato da competição. O motivo é óbvio: a parada dos jogos de futebol, causada pela pandemia da Covid-19. Se atendo então ao período das oitavas de final – fase em que os jogos foram interrompidos – os clubes que se destacavam foram exatamente os 4 semifinalistas: Sevilla, Manchester United, Shakhtar e Inter.

No jogo entre os dois primeiros, o Sevilla venceu os ingleses de virada com um gol no fim. Isso depois de grande pressão e diversas chances desperdiçadas pelos Red Devils que paravam no goleiro Bono (não o Vox, mas um marroquino). Um achado de Monchi, que era reserva no Girona.

Enquanto isso a inconstante Inter fazia valer a força de seu ataque e passeava sobre o Shakhtar com um categórico 5×0. Os italianos passavam à final como grandes favoritos, certo? Não contra o time que venceu cinco de cinco finais que chegou.

No jogo a sorte sorriu mais uma vez aos espanhóis. Muito pela competência, faça-se justiça, de aproveitar a já mencionada inconstância do Inter.

Os nerazzurri começaram vencendo, gol de Lukaku, num daqueles arranques característicos como carreta desgovernada que só param dentro do gol. Parado até que ele foi, por Diego Carlos, num pênalti que o próprio Lukaku converteu. Um candidato a herói, não fosse por um pequenino detalhe explicado mais à frente.

A vantagem durou pouco e o responsável foi Luuk de Jong. Primeiro o centroavante recebeu um cruzamento de Navas e cabeceou pro gol de empate. Depois, em mais uma bola levantada pra área, em cobrança de falta de Banega, usou a cabeça novamente para colocar os Andaluzes na frente.

Pra completar a loucura que foi o primeiro tempo, Diego Godin, também de cabeça voltou a empatar a partida depois de cobrança de falta de Brozovic.

A definição do placar final viria no segundo tempo, em mais uma cobrança de falta levantada para a área. Veja que o jogo não foi nada espetacular em termos de bom futebol. Foi só movimentado mesmo, principalmente pelos gols. A diferença foi na forma como saiu o gol da vitória. Uma espetacular bicicleta de Diego Carlos – aquele mesmo, o zagueiro que cometeu o pênalti em Lukaku. E a bola iria fantasticamente pra fora, não fosse o desvio de quem? Lukaku. Lembra daquele pequeno detalhe?

Coube ao Sevilla, sabendo que “se é Liga Europa, tá tudo dominado”, levar o jogo até o fim sem grandes sustos, cozinhando a Inter até o apito final. Festa espanhola em Colônia (a fase final foi toda na Alemanha), mas somente em campo, já que torcida não houve.

O Sevilla se consagrou como o grande doutrinador da Liga Europa, com seus seis títulos (os segundos com mais títulos tem apenas três) e vitória em todas as finais que disputou. Assim, consolidou o novo nome da competição: Sevilla League! Bom, essa parte não é séria, mas olhando bem, até poderia ser…

 

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