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Muito Bayern para pouca Champions

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O Bayern conquistou sua sexta Champions League. Mais do que isso, conquistou um nível de excelência no futebol que chega a chocar muito especialista. Evidentemente, estamos falando de uma edição atípica da competição, mas o que fez o time bávaro foi acima de qualquer expectativa.

Muito se falou sobre o fim de uma era vitoriosa do Bayern, principalmente pelo mau trabalho de Niko Kovac, no time desde 2018. No início da temporada, os Bávaros passaram turbulências, tropeçando na Bundesliga e até sofrendo uma goleada para o Eintracht Frankfurt, que culminou na queda do treinador. A diretoria apostou no então treinador assistente Hansi-Flick, efetivando-o e dando início a uma campanha histórica.

O Bayern passou a jogar de forma mais aguda e a produzir uma chance de gol atrás da outra. Conquistou a Bundesliga e a Champions com sobras, sendo que depois da pausa no futebol, motivada pela pandemia, o time passou a vencer um jogo atrás do outro.

Hansi Flick após a vitória sobre o PSG na final da Champions League.
Hansi Flick após a vitória sobre o PSG na final da Champions League. FOTO: Sven Simon/Imago Images

Champions em tempos de Covid-19

A pandemia de Covid-19 paralisou a Champions em meio à disputa das oitavas de final. Por motivos de segurança, um novo modelo de disputa foi criado, com um “final eight”, com jogos únicos.  A final seria disputada no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, mas foi transferida para uma disputa em Lisboa, de portões fechados e com todo o protocolo de futebol “de vídeo game” que as circunstâncias forçaram.

Nesse contexto o Bayern sobrou. Na verdade, já vinha sobrando desde a primeira fase. É de se lamentar que esse momento coincidiu com um contexto desfavorável para o futebol. Em muito, o clima da competição foi esvaziado, pois muita gente não estava com bola com tanta morte acontecendo e com tanta notícia ruim rolando. É óbvio que o futebol cumpriu seu papel de entretenimento, mas ainda assim, a Champions sem torcida não foi a mesma coisa.

Os destaques da equipe

Flick se entendeu bem com os jogadores e adequou o que os jogadores pensavam ao seu propósito tático para a equipe. Em parte pela experiência de seleção com alguns deles (da época em que trabalhou com Low), mas também pela sua capacidade de escutar o que o elenco tinha para lhe propor.

Um grande desafio era montar a defesa, onde teve vários desfalques. O técnico resgatou Boateng, que vinha mal e voltou a ser um ponto de segurança na defesa. Transformou o lateral Alaba em zagueiro, no início como um paliativo, mas com o tempo, viu-se que era uma solução muito melhor do que se esperava. Talvez o maior achado tenha sido o canadense Alphonso Davies, que foi um dos grandes destaques da competição na lateral direita.

Goretzka se transformou num jogador muito acima da média, assim como Gnnabry. Thiago Alcântara, então… o cérebro do time. Lewandowski, um gol atrás do outro.

E não podemos esquecer de algumas figuras que andavam ofuscadas no clube alemão e voltaram a brilhar com o técnico. Neuer, principalmente na final, mostrou o qual gigante é entre os goleiros da atualidade e, principalmente, na história do clube. Thomas Muller passou a ser menos artilheiro e mais passador, sendo um grande parceiro de ataque para Lewa. Isso para quem estava colocado de lado no início da temporada.

Um time que jogava com linhas altas, pressionando o adversário o tempo todo e, o que mais agrada ao torcedor, pensando sempre no ataque. Sofre na defesa? Sofre. Mas nada que não possa ser relevado.

As histórias paralelas

Podemos destacar algumas histórias bem marcantes dessa Champions. A eliminação precoce dos atuais campeões, em Liverpool, contra o “Cholobol” do Atlético de Simeone. A campanha histórica do Red Bull Leipzig nas semis. A grande atuação do Lyon, que saiu de um mau começo de temporada para eliminar Juventus e City e cair apenas nas semifinais para os campeões. O PSG, que finalmente chegou a uma decisão. Mas talvez nada tenha sido mais marcantes que a Atalanta que, com seu futebol de placares bailarinos chegou a estar a 5 minutos de uma semifinal, logo na sua primeira participação. Todas dignas de serem contadas, ao lado da história desse Bayern campeão.

Ah, por falar em Bayern, como não lembrar do absurdo 8×2 sobre o Barcelona…

Números incríveis

Campeões pela sexta vez na história, os Bávaros conseguiram a incrível campanha de 100% de aproveitamento, vencendo todos os 11 jogos. Algo inédito. Seu ataque marcou 43 gols em 11 jogos, com uma média de 3,91 gols por partida, que foi a maior na história da competição desde o seu novo formato, em 1992/93.

O Bayern quebrou também o recorde de vitórias consecutivas do Real Madrid, com dez triunfos seguidos entre 2014 e 2015. Fez o artilheiro, Lewandowski, que marcou 15 gols em 11 jogos, e terminou a temporada com a tríplice coroa, com o octa da Bundesliga e o título da Copa da Alemanha.  Tá bom pra você? É difícil lembrar de uma campanha da Champions em que o campeão foi tão categórico.

Faltou um cenário melhor

Mas no fim a sensação que ficou foi que o Bayern fez suas exibições de gala num palco muito pobre para a grandiosidade do seu espetáculo.

Uma competição que voltou em meio a uma pandemia, sem público e com cara de jogo de vídeo game, teve um time jogando um futebol digno dos esquadrões históricos que já venceram a competição. Mas se exibindo para arquibancadas vazias e ao som de torcidas controladas por DJs. Uma Champions muito bizarra. Muito pouco para um Bayern tão grande.

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