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GÊNIOS DO ESPORTE | MARADONA Y LA VIDA HUMANA DE UN D10S

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Maradona. Uma das maiores histórias do futebol. Dono de uma canhota poderosa e que faz milagres, assim como sua mão. A lenda que se tornou foi construída com um talento descomunal, acompanhado do gênio difícil e uma vocação para problemas.

Maradona é um dos melhores de todos os tempos no esporte apesar do estigma que o acompanhou. Um gênio que fez de tudo. Carregou sua seleção e é idolatrado por uma nação, pelo que foi dentro e fora de campo. Poderia ter conquistado muito mais, se não tivesse uma vida e personalidade tão complicados.

Do subúrbio aos primeiros passos de um prodígio

Os primeiros passos do Pibe não são diferentes dos de muitos garotos da Argentina e, de forma geral, da América do Sul. Meninos de origem pobre que encontram no talento para o futebol a oportunidade de ascensão social.

Cresceu na Villa Fiorito, subúrbio de Buenos Aires. Em meio a situação de miséria de sua família, a alegria do garoto era a pelada nos campos de terra, onde fazia o que queria com a bola e já se mostrava num nível muito acima de meninos mais velhos. Maradona não se intimidava. O menino da canhota impressionava pela velocidade, agilidade e inteligência com a bola nos pés.

Com pouco tempo foi selecionado pelo Estella Roja, time infantil de seu bairro, e seguiu se destacando. Enquanto isso, um de seus amigos havia sido aprovado em um teste para as categorias de base do Argentinos Juniors e respondeu aos elogios do treinador dizendo que conhecia um garoto ainda melhor. O treinador, Francis Cornejo, deu-lhe então dez pesos para que trouxesse esse outro jovem para avalia-lo. Cornejo e outros observadores do clube, incrédulos com o que viram do pequeno Diego, foram até sua casa e, pedindo à mãe dele, conferiram sua documentação para ter certeza da idade do garoto. Viram que Maradona realmente tinha apenas nove anos de idade.

Integrado à hoje famosa categoria de base do Argentinos, Maradona atuou pelo Los Cebollitas, equipe amadora afiliada ao Argentinos. Claro, manteve o sucesso e atraiu multidões para as partidas preliminares da época, que queriam ver o prodígio desfilar suas habilidades. Não tardou a ascender ao profissional. E não demorou mesmo. Precisamente aos 15 anos, há 10 dias de completar 16, Maradona estreou nos profissionais do Argentinos Juniors, em 1976. Não demorou a se firmar entre os titulares com um repertório fantástico: lançamentos, passes, dribles curtos, chutes certeiros de curta e longa distância e cobranças de falta. Aos dezessete anos, recebeu a primeira convocação para a Seleção Argentina. Acabou cortado na Copa do Mundo de 1978, perdendo a vaga para Norberto Alonso, artilheiro do campeonato argentino com o River Plate, preferido da AFA e do general que a comandava.

Em 78, já era artilheiro do campeonato argentino pela primeira vez, com apenas 17 anos. Em 79 repetiu a dose e foi artilheiro do campeonato nacional e do metropolitano (na época, o Campeonato Argentino ainda não se dividia em Clausura e Apertura). No mesmo ano, ainda foi eleito o melhor jogador sul-americano. Pela seleção, foi campeão e destaque do Mundial Sub-20 daquele ano. No ano seguinte repetiu a dose nas artilharias, e ainda levou o pequeno Argentinos Juniors ao vice-campeonato argentino, melhor resultado do clube até então. Esse período mágico despertaria a cobiça do gigante Boca Juniors que vivia uma pequena seca de títulos, iniciada exatamente em 76, justamente o ano de estreia de Diego. Maradona sairia do Argentinos com a estrondosa marca de 149 gols em 166 jogos, sendo a base de toda a estruturação do clube e, posteriormente, com seu nome rebatizando o estádio do clube.

O sonho no Boca e a chegada à Europa

Diego, torcedor fanático xeneize, chegou ao Boca em 1981 para realizar seu sonho de jogar no clube para o qual torcia. A passagem foi curta, mas marcante o suficiente para fazer jus a uma estátua no museu do clube, que está lá até hoje, para mostrar a importância da passagem de um dos maiores do futebol pelo clube. Foi lá que ganhou o apelido de “El Pibe d’Oro”, sendo importante na conquista do campeonato argentino logo no seu primeiro ano.

Maradona entre em campo na mítica Bombonera.
Maradona entre em campo na mítica Bombonera.

Vejam que ele só conquistou um título pelo Boca, mas as atuações bestiais e os gols, principalmente nos clássicos contra o River, lhe garantiram a idolatria no clube e, consequentemente, chamaram a atenção de gigantes europeus. Em 82 pouco antes da Copa do Mundo na Espanha, Maradona foi vendido ao Barcelona por 7 milhões de dólares, valor recorde à época. Entrava junto com outras estrelas no continente europeu, naquele que seria o início do período de maior êxodo de craques latinos para lá.

Encontrou na Espanha um Barcelona numa grande seca de títulos, que vinha desde o fim da década de 50. O time tinha conquistado somente um título espanhol, em 74, e via o Real Madrid se distanciando, enquanto o Atletico de Madrid se aproximando do ranking de títulos espanhóis. Diego recebeu regalias como a contratação de amigos pelo clube para garantir um bom ambiente.

Maradona em campo com a camisa catalã.
Maradona em campo com a camisa catalã. FOTO: FC Barcelona

Em campo, Maradona encantou e mostrou o futebol que os sul-americanos conheciam. Ele até conseguiu trazer uns títulos, como a Copa do Rei, conquistada sobre o Real. Com atuação decisiva, ele teve direito a ser aplaudido de pé pela torcida Blanca no Santiago Bernabéu. Ainda conquistou a Supercopa da Espanha e a extinta Copa da Liga Espanhola, em 83.

Porém, fora de campo, Maradona teve os primeiros contatos de que se tem notícia, com aquela que seria responsável por sua derrocada: a cocaína. Sofreu também com as lesões que, devido a seu extracampo, tinham longos períodos de recuperação. No Barça, também apresentou outra de suas marcas que atrapalhariam sua carreira: as brigas dentro e fora de campo. Teve uma suspensão de três meses por uma briga generalizada que numa derrota para o Athletic Bilbao, na final da Copa do Rei. Aquele dia marcou seu último momento como jogador do Barça. Após esse episódio, o craque argentino se desentendeu com os dirigentes do Barça e, com o relacionamento completamente desgastado, saiu para o pequeno Napoli, por outro recorde de transferências a época.

O auge no Napoli e a queda vertiginosa

Apesar de tradicional, o Napoli era considerado um time pequeno quando Maradona chegou à Itália, em 84. O clube só tinha duas Copas da Itália em sua história, mas Diego mudaria tudo por lá. Para sempre. A chegada do grande astro teve toda pompa e circunstância, causando um alvoroço absurdo em seu primeiro jogo. Os dois primeiros anos foram sem títulos, mas o Napoli passou a incomodar, liderado por um Maradona no esplendor da forma.

Maradona entrando em campo no San Paolo.
Maradona entrando em campo no San Paolo. FOTO: Alfredo Capozzi

Na primeira temporada, em 85, o time conseguiu somente um oitavo lugar. Na segunda, o terceiro lugar. E na temporada seguinte, 86/87, Maradona deu ao Napoli seu primeiro Scudetto – sobre a Juventus – e também o título da Copa da Itália.

Isso já seria suficiente para sua passagem para ídolo maior dos napolitanos, mas na temporada seguinte, com a chegada de Careca, uma estonteante dupla de ataque foi formada. Os dois fizeram uma temporada espantosa, com 13 do brasileiro e 15 gols do argentino, o artilheiro do campeonato. Mas o bicampeonato escapou frente ao Milan de van Basten, por apenas três pontos, muito por conta de uma vitória milanista no jogo entre os dois clubes, a três rodadas do fim.

Perderam também o campeonato da temporada 88/89, dessa vez para a Inter, numa disputa que foi até a última rodada. O consolo veio com o título da Copa da UEFA. O primeiro triunfo continental do clube veio depois de passar pela rival Juventus e pelo Bayern. Na decisão, o Napolí venceu o Stuttgart de virada no primeiro jogo em Nápoles, com gols de Maradona e Careca, e empatou em 3×3 na Alemanha. Era o auge daquele time.

Em 89/90, o Napoli chegaria ao segundo e último Scudetto. O título foi conquistado sobre o Milan, com 2 pontos de vantagem sobre os Rossoneros, numa espécie de troco pelo título perdido anos antes. Era a consagração definitiva do gênio. Mas também seria o passo inicial da sua rápida derrocada.

Depois de ter disputado a Copa do Mundo de 90 em solo italiano, como ídolo maior do país, teve um episódio que marcaria o fim da sua trajetória na Itália. Em 91, em partida contra o Bari, seu exame antidoping deu positivo para cocaína,. Estava escancarado o vício que acompanhava o craque. Ele sofreu uma suspensão de 15 meses, entrou em depressão e, nesse meio tempo, iniciou um longo processo de saída litigiosa do Napoli. O entrave só terminou depois quase três meses de processo judicial e uma intervenção da FIFA em favor do craque.

Em 92, Maradona acertou com o Sevilla mas, como se sabe hoje, a carreira dele nunca mais teve períodos de sucesso. Foi mal no Sevilla – mesmo com os 14 gols em 29 jogos – e , já apresentando excesso de peso e cada vez mais afundado nas drogas – teve uma passagem rápida pelo Newells Old Boys, sempre convivendo com os velhos problemas com lesões e as brigas em que se envolvia.

Depois de quase abandonar a carreira antes da Copa de 94 e de passar por outra suspensão de 15 meses por ser pego por doping durante aquele mundial dos EUA, Maradona finalmente teve seu seu último capítulo como jogador. Novamente no Boca, onde reestreou com as cores do clube (até nos cabelos) e com gol. No primeiro ano, uma campanha razoável e um quarto lugar. No segundo, a aposentadoria definitiva num clássico contra o River no Monumental de Nuñez. Nesse dia, Maradona foi substituído por um jovem Juan Román Riquelme. O Boca venceu esse jogo, que lhe valeu a liderança do campeonato. Mesmo em meio a disputa do título, Maradona decidiu encerrar a carreira, o que rendeu até rumores de que poderia haver um novo antidoping positivo. Bom, mas melhor encerrar sua história nos gramados num clássico. Ainda mais hoje, que soubemos que o River recuperou a ponta e venceu o campeonato com um ponto a mais que o Boca.

Um capítulo a parte: Maradona e a Albiceleste

Antes de ser campeão mundial sub-20, em 79, Maradona já dava seus passos na seleção principal. Fez seu primeiro jogo em 77 num amistoso contra a Hungria. O fato de não ter sido convocado para o Mundial de 78, disputada na Argentina, tornou-se uma das maiores decepções da vida.

No seu primeiro Mundial em 82, Maradona era um dos destaques de uma equipe ainda melhor que a que foi campeã em 78. Uma base encorpada com Diego e outro vencedor do Mundial sub-20, Ramon Díaz, chegou como favorita e perdeu logo no jogo de abertura da Copa  da Espanha, contra a Bélgica. Ao longo daquele mundial, até jogou bem, marcou gols, mas não conseguiu impedir uma despedida melancólica, perdendo para a Itália e Brasil, sendo expulso no clássico que selou a eliminação.

Na copa seguinte, em 1986, a Albiceleste já não tinha a base de 78 e ainda trazia um Maradona questionado. Mas, no México, veria uma das maiores exibições individuais de um jogador em Copas do Mundo. Depois de uma primeira fase razoavelmente tranquila, Diego fez aquela que seria sua melhor atuação, nas palavras do próprio camisa 10. Contra o Uruguai, depois de ter um gol anulado, o gênio reagiu carregando a equipe à vitória por 1×0. Depois viria o histórico confronto contra a Inglaterra, cercado de expectativa e tensão pelo contexto da Guerra das Malvinas. Seria o jogo mais emblemático daquela Copa, cuja história nos contamos aqui.

A histórica "Mano de Dios".
A histórica “Mano de Dios”.

Superada a pressão do confronto contra a Inglaterra, a semifinal serviu para uma revanche contra a Bélgica, derrotada com mais dois golaços do Pibe. Na final, veio a Alemanha, e uma bela final. Brown e Valdano abriram vantagem para a  Albiceleste. Mesmo exausta, a Alemenha empatou o jogo de forma heróica. Faltavam cinco minutos para o fim, quando Maradona se desvencilhou da marcação de Matthäus pela primeira vez no jogo. Ele deu um passe entre os zagueiros que colocou Burruchaga na frente do gol para dar o título a Argentina.

Era a consagração de Maradona. Aos olhos do público e de vários críticos, foi uma Copa que ele ganhou sozinho. Levou todos os prêmios daquela temporada e, para os argentinos, ele alcançava o status de divindade.

Maradona ergue a Copa do Mundo.
Maradona ergue a Copa do Mundo. FOTO: AP Photo/Carlo Fumagalli

O Mundial de 90 ficou marcado por Maradona, ídolo de Nápoles, comandar a Argentina em solo italiano. Mas por azar, ele jogou a Copa lesionado. Evidentemente, isso não o impediu de levar a Itália até a final e polemizar muito fora de campo. Na derrota contra Camarões, ironizou os italianos de Milão dizendo que “pela primeira vez torceram por negros e deixaram de ser racistas”. Depois de fazer a jogada que eliminou o Brasil, fomentou a história de que a água de alguns brasileiros teria sido “batizada”. Contra a Itália, clamou pela torcida dos napolitanos, como já contamos aqui no blog. Contra a Alemanha, a derrota foi a desforra dos italianos. Sua imagem às lágrimas após a derrota rodou o mundo, assim como suas declarações de que tudo teria sido uma armação contra ele, por ter eliminado a Itália. Seria uma de suas tradicionais brigas com a FIFA.

A maior delas viria na Copa de 94. A Argentina tinha um bom time, com Caniggia, Batistuta e Redondo, embora quase não tivesse se classificado para o Mundial. Maradona tinha feito um esforço hercúleo para estar no torneio, perdendo muito peso e recuperando a forma a competição. Até jogou bem, mas foi retirado do torneio depois de cair mais uma vez no antidoping, dessa vez, por uso de efedrina, presente nos remédios que tomou para perder peso. Há quem diga que a FIFA teria autorizado informalmente o uso das substancias e depois punido o jogador. Foi um final melancólico para a história de Maradona nas Copas do Mundo. Sobrou a mágoa com a FIFA por ter, segundo ele, “lhe cortado as pernas” para impedir um novo título da Argentina. Nada mais Maradona que isso.

Depois do futebol mais altos e baixos

O fim da carreira de jogador não encerrou a vida movimentada e confusa de El Pibe. Ele continuou por anos às voltas com problemas com as drogas e o excesso de peso. Chegou ao fundo do poço quando quase morreu nos anos 2000, por problemas cardíacos. Sem contar inúmeros episódios de confusões brigas e mais tretas.

Por outro lado, mesmo convivendo com este lado intempestivo que o acompanhou a vida toda, Maradona conseguiu, como em várias vezes se reerguer, mantendo uma vida relativamente estável diante do que já passou.

E nesse tempo já fez e viveu de tudo. Foi de apresentador de TV a técnico – de clubes minúsculos e até da própria seleção Argentina. Fora de campo foi um homem de posicionamentos firmes e marcantes. Nunca foi de ficar encima do muro.

O legado de Maradona não se resume a discussão sem fim sobre quem foi maior entre ele e Pelé. Ele até foi eleito o melhor do século XX em eleição da Fifa pela internet. E em duas regiões do planeta pelo menos ele consegue ser uma unanimidade. Para os napolitanos e para os argentinos. Foi herói, ídolo, gênio e divindade.


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