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GÊNIOS DO ESPORTE | AYRTON SENNA DO BRASIL

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Ayrton Senna não foi o atleta brasileiro mais famoso, mas foi, sem dúvida, o que mais perto chegou da idolatria absoluta. O símbolo máximo de sucesso de um país. Uma história que não é tão simples de ser contada.

Era um candidato a herói diferente. Não vinha da pobreza (como vários casos do futebol, por exemplo) e não parecia ter motivos para querer lutar tanto por algo, como viria a fazer. Mas era diferente demais para ser comum. Se não teve as mesmas dificuldades que muitos brasileiros, teve a determinação igual a de tantos outros. Desde a infância – e aqui falamos de quatro, cinco anos de idade – já mostrava que o volante seria seu local de conforto. A medida que foi crescendo, com incentivo do pai, foi demostrando com clareza que a velocidade seria sua inseparável companheira.

Senna criança
Senna criança. FOTO: acervo Instituto Ayrton Senna

O começo da jornada

Como toda boa jornada de um bom herói, seu lugar comum brincando de kart durou pouco. Já na adolescência veio o chamado para a aventura no mundo da velocidade. Longe dos holofotes e contanto só consigo e com o apoio da família (uma dádiva rara no Brasil da virada dos anos 70 para os 80), Senna se enveredou pelas disputas de kart pelo Brasil, América do Sul e pelo Mundo. Aí começaram a velo como um cara diferente.

O primeiro kart de Ayrton.
O primeiro kart de Ayrton. FOTO: acervo Instituto Ayrton Senna

No período de Europa, Fórmula Ford e Fórmula 3 o sucesso começou a aparecer, mas era uma rotina difícil. Por vezes pensou em desistir e chegou até a voltar ao Brasil. Mas a vontade de chegar à Fórmula 1 era maior. Senna não declinou, em parte pelo apoio do seu mentor, o espanhol Lúcio Pascoal Gascon, ou “Tchê”, como era conhecido. Desde 74, quando Ayrton era uma jovem promessa do kart até a chegada à F1, ele orientou, preparou e ajudou-o.

Ayrton Senna e Tchê.
Ayrton Senna e Tchê. FOTO: acervo Instituto Ayrton Senna

A chegada à Fórmula 1

Ainda não era conhecido no Brasil, mas chegava o momento do herói cruzar seu primeiro limite: a chegada à Fórmula 1. Pilotando uma Toleman, ele tinha tudo para passar batido, mas muito pelo contrário, chamou a atenção de todos como uma atuação histórica em Mônaco e outros dois pódios. Mesmo com um carro inferior.

Como todo herói, Senna teve suas provações. O período de Lotus (sua segunda equipe na categoria) ajudou a consolidas sua imagem de piloto talentoso e determinado e lhe rendeu momentos históricos e suas seis primeiras conquistas na categoria. Mas não era lá que Senna teria condições de disputar títulos. Por isso foi para a McLaren.

Entre tapas e beijos: as amizades e inimizades

Ao longo dos anos, Senna construiu relações de amizade e inimizades no automobilismo. Dentre os que mais próximos ao piloto, estavam o médico chefe da Fórmula 1, Sid Watckins, o piloto austríaco Gerhard Berger , o fotógrafo japonês Norio Koiki, o narrador Galvão Bueno e o empresário Armando Botelho.

Apesar da mídia apontar sempre para Alain Prost quando se tratava do vilão dessa trama, o francês tinha mais o papel de rival do que de inimigo. Nunca foram amigos, como os dois sempre salientavam, mas havia muito respeito ali. O mais próximo de um inimigo que Senna teve foi o também francês Jean-Marie Balestre, um dos dirigentes da categoria, que protegeu Prost várias vezes e vivia em pé de guerra com Ayrton.

O também brasileiro Nelson Piquet podia entrar nessa, mas talvez não fosse para tanto. As vezes os dois só se detestavam e pronto. Aliás, enquanto as tretas de Senna e Prost ficavam na grande maioria das vezes nas pistas, as com Piquet extrapolavam para a mídia quase sempre.

Abaixo, a entrevista de Senna para o Roda Viva de 86, falando sobre Piquet, sua relação com os fãs e muito mais (tem até pergunta de um jovem Rubens Barrichello).

A fase de ouro

Na Mclaren veio sua grande provação: um dos melhores carros e finalmente a chance de mostrar que era um dos melhores. E não deu outra. Três títulos e um vice nos quatro primeiros anos de equipe, além de uma coleção quase inesgotável de espetáculos e momentos épicos.

Um histórico duelo entre Senna e Mansell

 Abaixo, uma lista de dez momentos brilhantes de Senna, listados pela F1.

 

Veja como foi a primeira vitória de Senna no Brasil

A vida particular

Senna voltava ao Brasil sempre como um herói. Ele assumiu esse posto mesmo sem sua jornada estar completa. Em um país carente de várias coisas, saindo de um momento político conturbado e sofredor de misérias de todo tipo, ele assumiu o papel de alegria do povo, que nem o futebol conseguiu cumprir na época.

Na vida particular, se reservava a ser o mais discreto possível, mas era uma figura mundialmente famosa. A fama e o dinheiro que sobem à cabeça de tantos, pareciam não afetá-lo. Tratava bem os fãs e se preocupava com as crianças. Suas doações eram sigilosas, suas atitudes eram contidas e só sucumbiu à mídia e a exposição em seus relacionamentos pessoais, pois era o alvo principal dos tabloides.

A tragédia

Senna não voltou a ser campeão. Mas seguia como um gigante do automobilismo. Ainda era capaz de fazer história. Se tornou o “O Rei de Mônaco”, e realizou a que, para muitos, foi considerada a melhor primeira volta da história da Fórmula 1.

Sua nova jornada na Williams não deu certo. Acabou de forma precoce e como todos sabem, terminou de forma trágica. Um herói morreu diante das câmeras, na pista, numa manhã de domingo, como tantas outras. O GP de San Marino de 94 entrou para a história da pior maneira possível. O Brasil se despedia daquele que foi seu heróis por uma década. Seu ídolo era homenageado pelo país todo e milhares prestaram sua última homenagem a Ayrton.

Cortejo com o corpo do piloto levou 1 milhão de pessoas às ruas de São Paulo.
Cortejo com o corpo do piloto levou 1 milhão de pessoas às ruas de São Paulo FOTO: Norio Koike/ase

Seu legado

No fim, Ayrton Senna representou muito mais do que suas vitórias esportivas. Na Fórmula 1, até hoje ele é inspiração para novos pilotos e seu legado faz com que ele seja apontado como o maior de todos. Já o brasileiro viu nele uma representação de esperança. Ele era um brasileiro que deu certo e que fazia com que outros acreditassem que também conseguiriam.

Talvez, nesse ponto, ele tenha sido diferente dos outros atletas. Ele foi muito mais do que gênio das pistas. Ele foi uma lenda.


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