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20 ANOS SEM O MAGO DA CHUVA

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20ANOSSEMSENNA

1º de maio de 1994… Como não se lembrar desta data. Neste dia terrível foi-se, para muitos, o maior piloto de todos os tempos: Ayrton Senna da Silva. Este presente artigo visa analisarmos o antes, o durante e o depois deste momento trágico, mas que provocou mudanças importantes na principal categoria do automobilismo, a Fórmula 1.

 Antes de 1994

A Fórmula 1 foi por muitos anos um esporte sangrento. A quantidade de pilotos que morreram a bordo de um carro de Fórmula 1 é divergente (uns colocam 36, outros quase 50). O certo é que até 1982 dificilmente uma temporada acabava sem pelo menos um piloto morto durante o campeonato.

Porém, após as mortes de Gilles Villeneuve e Ricardo Paletti em 1982, a Fórmula 1 teve um período relativamente tranquilo até o início da temporada de 1994. A única morte registrada neste meio tempo foi a do italiano Elio de Angelis pela Brabham durante os treinos particulares em Paul Ricard na França, no ano de 1986.

Dentre os pilotos falecidos até 1994 podemos destacar: os bicampeões mundiais Alberto Ascari, falecido em 1955 e Jim Clark em falecido em 1968; o único campeão póstumo, Jochen Rindt, faleceu durante o campeonato de 1970 em Monza na Itália; e os pilotos Bruce McLaren (fundador da atual equipe McLaren) e o canadense Gilles Villeneuve, pai do futuro campeão Jacques Villeneuve.

Alberto Ascari, Jim Clark, Jochen Rindt, Bruce McLaren e Gilles Villeneuve. Grandes pilotos que faleceram enquanto estavam na Fórmula 1. Foto: autoandrive.com e formula1.com
Alberto Ascari, Jim Clark, Jochen Rindt, Bruce McLaren e Gilles Villeneuve. Grandes pilotos que faleceram enquanto estavam na Fórmula 1. Foto: autoandrive.com e formula1.com

As mudanças para a temporada de 1994

Visando equilibrar o campeonato de 1994, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) determinou que todos os recursos eletrônicos fossem retirados dos carros. Isto afetou diretamente a Willians, do recém-chegado à equipe, Ayrton Senna que, em teoria, teria o melhor carro com estes recursos.

O problema disto é que os carros ficaram muitos rápidos, mas perderam em dirigibilidade sem os controles eletrônicos. Entre um acidente ou outro nos testes de inverno, as duas primeiras corridas daquele ano ocorreram sem grandes sustos.

 O sangrento final de semana em Ímola

A terceira corrida daquela temporada ocorreria no conhecido circuito italiano Enzo e Dino Ferrari em Ímola (apesar de se chamar GP de San Marino, a corrida era realizada na Itália).

Circuito Enzo e Dino Ferrari. Em azul o trajeto existente até 1994. Em vermelho estão as modificações que ocorreram após esta data. A curva Tamburello virou uma chicane. FOTO: gdecarli.it
Circuito Enzo e Dino Ferrari. Em azul o trajeto existente até 1994. Em vermelho estão as modificações que ocorreram após esta data. A curva Tamburello virou uma chicane. FOTO: gdecarli.it

Ninguém acreditaria que aquele final de semana passaria para a história da maneira trágica que ocorreu com duas mortes, onde uma delas seria do nosso Ayrton.

Sexta-feira: o prenúncio

 Os treinos livres da sexta-feira pareciam demonstrar que algo de muito ruim iria acontecer naquele circuito. O jovem piloto brasileiro Rubens Barrichello, da Jordan-Hart, sofreu um grave acidente (seu carro subiu na zebra, decolou e bateu na proteção de pneus). Por sorte, Rubinho não sofreu contusões graves, mas não correu a corrida daquele final de semana.

Carro de Rubens Barrichello durante o acidente nos treinos livres na sexta-feira. FOTO: http://formulatotal.wordpress.com.
Carro de Rubens Barrichello durante o acidente nos treinos livres na sexta-feira. FOTO: http://formulatotal.wordpress.com.

Sábado: a primeira tragédia

As autoridades não deram importância para o acidente de Barrichello (somente Ayrton Senna se preocupou com o ocorrido com Rubinho) e a classificação ocorreu no dia seguinte. Senna já tinha feito a pole e estava nos boxes, quando ocorreu o acidente com o piloto austríaco Roland Ratzemberger da Simtek-Ford. Ratzemberger sofreu uma quebra na sua asa dianteira e bateu no muro da curva Villeneuve a 314 km/h.

Carro de Roland Ratzemberger após o acidente no treino classificatório no sábado. FOTO: superdanilof1page.com.br
Carro de Roland Ratzemberger após o acidente no treino classificatório no sábado. FOTO: superdanilof1page.com.br

Divergências à parte (nos bastidores dizem que Ratzemberger faleceu instantaneamente no acidente, ou ainda no circuito pouco tempo após o ocorrido. Ele quebrou o pescoço, o que pode fazer estas versões verdadeiras) o fato é que o piloto austríaco morreu em função do acidente. Aí a coisa ficou séria. Após quase 12 anos, um piloto voltava a morrer durante um fim de semana de corrida.

A situação ficou tensa. De acordo com as leis italianas, se um esportista morre em um evento, este tem que ser imediatamente cancelado, o que alimenta a versão de que Ratzemberger só teve a morte anunciada fora do circuito para evitar o cancelamento da corrida. Mesmo assim, os interesses financeiros falaram mais altos. Bernie Ecclestone, chefão da F1 até hoje, recusou qualquer possibilidade de que a corrida fosse cancelada. E ela ocorreu, para a infelicidade de todos.

Uma imagem que passou para a história

A imagem a seguir possui uma representatividade imensa. Ayrton olha para a sua Willians com uma feição triste. Será que ele desconfiava que a morte o aguardava na curva Tamburello?

Imagem de Senna olhando para seu carro antes da corrida passou para a história FOTO: memoriaglobo.globo.com
Imagem de Senna olhando para seu carro antes da corrida passou para a história FOTO: memoriaglobo.globo.com

O fato é que Senna ficou muito transtornado com o acidente e morte de Ratzemberger. O médico Dr. Sid Watkins aconselhou-o a não correr no dia seguinte. Mas Senna respondeu-o dizendo que não podia deixar de fazer aquilo que amava.

A corrida

Logo na largada um acidente envolvendo os pilotos Pedro Lamy e JJ. Lehto causou a morte de espectadores da corrida em função de um pneu que voou em função do referido acidente. Safety Car na pista.

A corrida recomeçou na volta 6. Na volta 7 a tragédia aconteceu. Senna liderava, com Schumacher na sua cola, quando passou reto na curva Tamburello e bateu o carro no muro à 220 km/h. A gravidade ficou evidente pois, o mesmo, não se mexia no carro.

Imagem de Senna sendo socorrido após o acidente que ceifou sua vida. FOTO: thesundaytimes.co.uk
Imagem de Senna sendo socorrido após o acidente que ceifou sua vida. FOTO: thesundaytimes.co.uk

Senna foi retirado do carro e levado de helicóptero para o hospital. A inconsciência do piloto somada á poça de sangue deixada no local do acidente evidenciaram a gravidade do acidente. Às 18:40 locais (13:40 em Brasília) foi confirmado o que todos temiam: a morte de Senna. Apesar de só ter sido confirmada neste horário, o laudo oficial confirmou a morte às 14:17 (hora local), configurando assim uma morte instantânea em função da perfuração de seu crânio por um pedaço da suspensão do carro.

Comoção nacional

Uma tristeza imensa tomou conta do país. Como aquele, que durante alguns anos deu tantas alegrias ao país, nos voltou o orgulho de ser brasileiro, andava na chuva como poucos, o maior vencedor em Mônaco (até hoje), tricampeão mundial, terminaria por morrer assim de forma tão trágica?

Um ídolo que tinha orgulho de ser brasileiro, que buscava sempre o primeiro lugar, que não tinha receio em dividir uma curva com o piloto que fosse, morreu desta maneira?

O funeral de Senna reuniu cerca de 500 mil pessoas na cidade de São Paulo, no dia 5 de maio, entre eles pilotos e ex-pilotos de várias categorias automobilísticas. Entre eles: Alain Prost (seu grande rival), Emerson Fittipaldi, Damon Hill, Gerhard Berger, Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Jackie Stewart, Raul Boesel, Roberto Moreno, Johnny Herbert, Derek Warwick, Pedro Lamy e Thierry Boutsen.

Funeral de Ayrton Senna levou um “oceano” de pessoas para as ruas da cidade de São Paulo. FOTO: http://blogmonumentalformula.wordpress.com.
Funeral de Ayrton Senna levou um “oceano” de pessoas para as ruas da cidade de São Paulo. FOTO: http://blogmonumentalformula.wordpress.com.

A busca por explicações

As causas do acidente de Senna nunca ficaram muito claras. Duas versões são as mais aceitas: falha na pilotagem de Senna e a quebra da barra de direção do carro. A segunda tese ganhou fundamento quando a investigação detectou uma fadiga em parte do material da barra de direção.

Assim sendo, promotores italianos trouxeram procedimentos legais contra seis pessoas com relação à morte de Senna. Eles eram Frank Williams, Patrick Head e Adrian Newey da Williams; Fedrico Bendinelli que representa os proprietários do Autódromo Enzo e Dino Ferrari; Giorgio Poggi como o diretor de circuito e Roland Bruynserarde que era o diretor da corrida e sancionou o circuito. Entre idas e voltas, no fim, todos foram absolvidos da acusação de homicídio culposo.

O legado de Senna para a Fórmula 1

 A morte do ídolo mundial trouxe mudanças drásticas para a Fórmula 1 no que tange à segurança dos carros da categoria. Desde a morte de Senna, nenhum outro piloto morreu durante uma corrida de F1. E já ocorreram acidentes bem feios desde a morte do mesmo.

Schumacher em 1999, Alonso em 2003 e Kubica em 2007. Acidentes fortes, mas os pilotos não perderam as suas vidas nos mesmos e puderam continuar com suas carreiras. FOTO: motorsport.com, noticias.bol.uol.com.br e esporte.uol.com.br.
Schumacher em 1999, Alonso em 2003 e Kubica em 2007. Acidentes fortes, mas os pilotos não perderam as suas vidas nos mesmos e puderam continuar com suas carreiras. FOTO: motorsport.com, noticias.bol.uol.com.br e esporte.uol.com.br.

Mudanças importantes como a adoção do dispositivo de segurança HANS (visando proteger o pescoço), macacões feitos de materiais antichamas, um “cockpit” mais forte (feito à base de fibra de carbono) e mais alto, visando proteger melhor a cabeça do piloto e uma suspensão reforçada dificultando a soltura das rodas em uma batida.

Mas nada, nem o tempo, apagará a história deste mito. Os seus três títulos mundiais, 41 vitórias, 65 pole positions, 80 pódios, 19 voltas mais rápidas, e principalmente, seu estilo como pessoa e piloto estarão eternamente imortalizados em todas as mentes e corações dos fãs do automobilismo mundial. Ele sempre será o nosso AYRTON SENNA DO BRASIL!

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2 Comments

  1. 19/02/2017 at 0:29 — Responder

    O Rubinho foi o unico sobrevivente dos 3, porque foi o unico que bateu em um local com proteção de pneus….
    Não consigo entender porque pelo menos na corrida de domingo, não pensaram em colocar proteção de pneus nos locais mais criticos do circuito….

  2. 19/02/2017 at 0:25 — Responder

    Obrigado por citar o meu site 🙂

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