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O ano do Galo, libertado.

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GALOCAMPEAO

O galo se libertou do estigma de derrotado. Do quase.

A noite da maior tragédia da historia da instituição está encerrada. A derrota de 5 de março de 78, uma das mais doídas para os atleticanos, nos pênaltis. Os pênaltis que naquela noite tiraram do Atlético a campanha perfeita, do time invicto, do dono do melhor futebol daquela ocasião, do time do craque e artilheiro da competição. A história que era para ser contada aos netos não fossem os pênaltis. Os pênaltis que agora colocam o Galo no topo da América.

O treinador que não ganhava nada, que era azarado, agora é campeão. Justo no time mais azarado, mais injustiçado e mais sofrido. A conquista de expressão finalmente aconteceu. E que conquista. Com mais cara de Galo impossível. Sofrida até o ultimo minuto. Suada.

Jô premiado como artilheiro da competição. FOTO: Placar
Jô premiado como artilheiro da competição. FOTO: Placar

O torcedor que viu por 41 anos a bola bater na trave, o gol sofrido no ultimo minuto, os juízes impedindo o grito de campeão, agora tiveram o alívio. A bola da redenção entrou exatamente aos 41 minutos do segundo tempo. O gol no fim que calaria o estádio não saiu por um escorregão.  E foi nos pênaltis que o herói Victor foi canonizado. De novo com o santo pé esquerdo. E a trave que antes impedia a vitória agora nos deu o título.

O galo mudou de nível. Ronaldinho, que chegou ao galo e deu novas esperanças ao torcedor, conseguiu liderar o time e mudou a história do clube. Em dois anos de clube virou ídolo, além de ser um dos maiores craques que já vestiram a camisa do Atlético. Só faltava a conquista, que por pouco não veio no Brasileiro de 2012. Já a conquista da Libertadores era o que faltava para o Galo e para ele. Para calar os críticos de sua carreira nos últimos anos apesar de tudo que já havia conquistado. Quem já estava na história do futebol como um dos maiores de todos os tempos, agora faz história no Galo, mudando a realidade de time derrotado.

Ronaldinho comando o time ao título. FOTO: Uol
Ronaldinho comando o time ao título. FOTO: Uol

O presidente Alexandre Kalil conseguiu mais que a coroação do trabalho de 5 anos, mas sim, resgatar o Atlético da era tenebrosa que viveu nos últimos 20 anos, realizando o sonho de todo atleticano de ter o Galo de volta. O Galo que disputava grandes títulos e era respeitado em toda parte. Mais que isso, fez do Galo um time vencedor e o melhor time da América, agora de fato e de direito.

Cuca, mais uma vez com um grande trabalho, conseguiu acabar finalmente com a imagem de técnico que fazia bons times, mas não ganhava. É outro grande responsável pelo título, montando uma equipe com excelente ambiente, com pouquíssimos conflitos e que joga o futebol envolvente que fez dela a melhor equipe do Atlético de todos os tempos e conseguiu trazer para o clube a conquista que faltava para confirmar este status.

Cuca espanta a fama de azarado. FOTO: AFP
Cuca espanta a fama de azarado. FOTO: AFP

Victor, o grande herói da campanha, fez a diferença em toda a competição. Teve sua consagração nas quartas de final, nas semis e de novo na final, tendo em suas mãos o destino da equipe nas três eliminatórias. Nos momentos mais tensos decidiu. Quem veio para tentar solucionar o grande problema de falta de goleiros de qualidade fez as defesas mais importantes da história do clube.

Victor, o herói do título. FOTO: Uol
Victor, o herói do título. FOTO: Uol

O jogo

O jogo em si, o capitulo que encerrava a epopeia do Galo nesta edição da Libertadores foi tenso de início, como era esperado, devido a vantagem carregada pelo Olímpia com o placar do primeiro jogo e pela postura defensiva adotada por eles no Mineirão. O galo dominou o jogo por completo, mas o primeiro gol demorou a sair, o que aumentava a apreensão da torcida. O primeiro tempo terminou com 0x0 no placar e o Galo não transformava o domínio em chances de gol. Mas a torcida mantinha a fé e embalava o grito de “eu acredito”.

Veio o segundo tempo e o Galo voltou melhor e mais ofensivo, com Rosinei no lugar de Pierre. O primeiro gol saiu logo no primeiro minuto com Jô. A partir dai o Galo passou a criar muito mais e ganhou confiança e mais tranquilidade. O Olímpia se fechava bem e tentava alguns contra ataques mas não levava perigo. Josué, que fez uma excelente partida, desarmava muito bem e iniciava as jogadas de ataque. Ronaldinho ditava o ritmo do ataque e ajudava na marcação embora não estivesse sendo decisivo.

Josué em uma de suas melhores partidas pelo Galo. FOTO: Atlético-MG
Josué em uma de suas melhores partidas pelo Galo. FOTO: Atlético-MG

O segundo gol não saía e o fim do jogo se aproximava quando o Olimpia quase pôs tudo a perder aos 37 minutos em um contra-ataque em que Ferreira saiu cara a cara com Victor e passou pelo goleiro. A torcida já silenciava, mas um escorregão impediu que Ferreira sepultasse as chances de título do Galo. Mas ainda faltava o segundo gol que ao menos levava a partida para a prorrogação. E depois de muito pressionar e de algumas grandes chances perdidas, o gol salvador saiu aos 41 minutos com Leonardo Silva, de cabeça, chorado, para desafogar o torcedor.

Leonardo Silva faz o gol histórico. FOTO: Esponte Interativo
Leonardo Silva faz o gol histórico. FOTO: Esponte Interativo

O jogo iria para a prorrogação e, com um jogador a mais por conta da expulsão do zagueiro paraguaio, o Galo pressionava e criava chances enquanto o Olímpia se segurava. Porém a bola teimava em não entrar como no lance em que Réver cabeceou a bola na trave para desespero da torcida.

Para o drama ficar completo a partida foi para os pênaltis e, de novo, a esperança do Atlético era depositada em São Victor. E já na primeira cobrança o santo pé esquerdo de Victor operou novo milagre e defendeu o pênalti. As cobranças seguiram com três gols para cada lado até a quinta cobrança do Olímpia. Na trave. Estava acabado o calvário atleticano até o título. O Galo era campeão e a Massa explodia de alegria. As lágrimas, dessa vez de felicidade, corriam pelos rostos dos atleticanos ainda sem acreditar que a espera finalmente havia acabado. Estava escrito o final do roteiro digno de filme que foi a conquista da Libertadores de 2013. O ano de Victor, Ronaldinho, Jô, Cuca, Tardelli, Réver, Leo Silva, Pierre, Bernard, Kalil. O ano do Galo, de fato.

Réver levanta a taça. FOTO: divulgação Atlético
Réver levanta a taça. FOTO: divulgação Atlético

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