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DEU ZEBRA! O dia em que o Raja Casablanca eliminou Galo do Mundial

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A festa da torcida marroquina se faz mais do que justificada. No maior momento do futebol do país, o Raja Casablanca, campeão nacional, que entrou como convidado no Mundial de Clubes da FIFA, eliminou o Atlético-MG, campeão da Libertadores, e fará a improvável final da competição contra o Bayern de Munique. O que era um sonho longínquo se tornou real.

Fazia tempo que não tratávamos de uma zebra dessas proporções. Seja por força de Alá ou por inoperância do Galo, o fato é que pela primeira vez desde que temos esse formato de competição no Mundial, teremos um finalista que não foi campeão continental e, pela segunda vez , teremos um africano na final. Aliás, o que têm em comum o Todo Poderoso Mazembe (sim, o TP do escudo deles significa isso) e o famigerado Raja Casablanca? O renomado atacante congonês Deo Kanda.

Kanda estava nas duas ocasiões e mostrou ser doutorado em zebrar contra brasileiros. Não satisfeito com o feito contra o Inter, se transferiu para o Raja, para eliminar o seu ídolo Ronaldinho. Não fosse esse feito, e o comentário de que “em 2010 foi mais difícil”, Kanda passaria despercebido no jogo da última quarta.

Mais emblemático que Kanda, ou o Raja, foi a torcida. Das duas partes. Os fanáticos atleticanos que invadiram Marrakech e os ensandecidos marroquinos que pintaram de verde o estádio, proporcionaram uma lindíssima festa. No fim, choro de um lado e festa do outro.

Torcida do Galo no estádio de Marrakech. FOTO: O Globo
Torcida do Galo no estádio de Marrakech. FOTO: O Globo

E do Galo… bem, faltou futebol. O Atlético não se impôs, respeitou demais o Raja e não produziu. Parecia estar certo de uma vitória que chegaria a qualquer momento. Se preparou para enfrentar o Monterrey e foi surpreendido por um rápido Raja, que todos sabiam que jogaria no contra-ataque pelas laterais. O Atlético mostrou falta de ritmo e viu um Raja empolgado e “pilhado”, muito diferente do esperado time cansado por ter disputado duas partidas antes.

Jô perdeu as poucas chances que teve. Tardelli jogou abaixo do que demonstrou na reta final do Brasileirão. Fernandinho não correspondeu à expectativa que gerou o esforço da diretoria atleticana para inscrevê-lo no Mundial. Ronaldinho marcou um golaço de falta, mas fez muito pouco além disso.

Festa marroquina depois do primeiro gol. FOTO: Fadel Senna/AFP
Festa marroquina depois do primeiro gol. FOTO: Fadel Senna/AFP

O 0x0 do primeiro tempo ficou na conta do ataque do Galo, que desperdiçou suas chances e de Victor, que salvou uma chance clara dos marroquinos. Assim como terminou o primeiro tempo, o Raja começou o segundo: em cima. Numa falha de marcação, o Galo levou o primeiro, de Lajour, que chutou livre, no contrapé de Victor. O Galo foi pra cima e quase tomou o segundo. Ai veio a falta e categoria de R10, que empatou o jogo numa magistral cobrança. Ai, sim! Agora ia dar Galo. Mas pra isso acontecer, o time precisava fazer por onde, o que não acontecia.

E, em outra falha grotesca de cobertura, a defesa ficou exposta e Réver cometeu um pênalti duvidoso. Era a vez de São Victor fazer milagre. Mas não fez. Moutaouali marcou o segundo. Daí pra frente foi desespero total e, como um bom roteiro dramático para zebras, o Galo abriu o time e partiu pra cima. Marcos Rocha saiu inconformado e xingou Cuca. O time se descontrolou e levou o terceiro, de Mabide, que sepultou de vez o sonho do Galo. Foi um 3×1 categórico.

Dessa vez não deu pra São Victor. FOTO: Superesportes
Dessa vez não deu pra São Victor. FOTO: Superesportes

A torcida do Galo ficou atônita, tanto em Minas quanto no Marrocos. A festa marroquina soava a absurdo. O Raja, hipoteticamente o adversário mais fraco, foi o algoz do time que sonhou com a final contra o Bayern durante seis meses. Foi a zebra do ano e, porque não dizer, um dos maiores exemplos de fé e perseverança. Se é impossível, porque não acreditar. O Raja Casablanca acreditou e conseguiu.

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO 1 x 3 RAJA CASABLANCA
Motivo: semifinal da Copa do Mundo de Clubes da FIFA
Data: 18/12/2013
Estádio: Le Grand Stade de Marrakech
Local: Marrakech, Marrocos
Gols: Lajour (50’), Ronaldinho (62’) Vivien Mabide (94’), Moutaouali (83’)
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)

Raja Casablanca
Khalid Askri; El Hachimi, Adil Karrouchy, Mohamed Oulhaj e Ismail Benlamalem; Erraki, Guehi, Chemseddine Chtibi (Vivien Mabide) e Moutaouali; Lajour (Idrissa Coulibaly) e Abdelilah Hafidi (Déo Kanda). Técnico: Nabil Maaloul.

Atlético
Victor; Marcos Rocha (Luan), Leonardo Silva, Réver e Lucas Cândido (Alecsandro); Pierre, Josué (Leandro Donizete), Diego Tardelli e Ronaldinho; Fernandinho e Jô. Técnico: Cuca.

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