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A EXÓTICA E CURIOSA HISTÓRIA DO AUSTRALIAN OPEN

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O Australian Open é um dos quatro Grand Slams que da temporada de tênis. E, pela sua história, é um dos mais exóticos.

A origem

Em 1904, seis associações estaduais de tênis da Austrália e o órgão que então comandava o esporte na Nova Zelândia se juntaram, formando a Associação de Tênis da Australásia.

No ano seguinte, foi criado um torneio para divulgar o esporte na região – o Campeonato Masculino da Australásia. O torneio foi realizado no Albert Reserve, em Melbourne, nos gramados do Warehouseman’s Cricket Club. O evento foi realizado num pequeno campo de grama que teve Rodney Heath como campeão, ao derrotar na final Dr. Arthur Curtis, diante do grande público de 5000 pessoas.

Rodney Health
Rodney Health, primeiro campeão do torneio. FOTO: Acervo

Quando começou, o torneio não era designado como um Slam, o que aconteceu apenas em 1924, pela International Lawn Tennis Federation (ILTF). Não se imaginava que anos mais tarde, esse seria o único Grand Slam da região Ásia/Pacífico.

Uma história de sedes, nomes e pisos diferentes

De 1905 a 1968, o torneio foi chamado de Australian Championship e Australasian Championship. Nessa época, passou por  diversas cidades da Austrália e também chegou a ser realizada em duas cidades da Nova Zelândia.

Após uma breve pausa durante a Primeira Guerra Mundial, o torneio feminino de simples foi adicionado em 1922 e a competição foi renomeada para o Campeonato Australiano em 1927. Somente a partir de 1972 começou a ser jogado exclusivamente em Melbourne.

Tradicionalmente disputado na grama, passou para o piso rápido em 1987. Aliás, o tipo de piso rápido seria alterado ainda mais duas vezes. Um ano depois, em 1988, mudou-se para o atual complexo, o Melbourne Park.

Além de Melbourne, receberam o torneio: Sydney (17 vezes), Adelaide (14 vezes), Brisbane (7 vezes), Perth (3 vezes), Christchurch (1906) e Hastings (1912).

Ausências estrangeiras

Participar do Australian Open, nos dias de hoje, é quase que uma obrigação para todos os tenistas de primeira linha, mas houve uma época em que isso não era assim.

Por causa da geografia da Austrália, isolada dos demais continentes, quase todos os jogadores estrangeiros desistiam do torneio até meados do século XX. Para se ter uma ideia, nos anos 20, eram necessários 45 dias para ir de barco da Europa para a Austrália. Como se já não bastasse isso, ainda corria-se o risco do barco chegar em Perth, na costa Oeste do país, que fica a 3 mil quilômetros da região onde o torneio acontecia.

As primeiras visitas de fora da Oceania vieram com a Copa Davis, no fim dos anos 40. Mais especificamente em 1946, quando um grupo de tenistas dos EUA chegou de avião para jogar em solo australiano. Aos poucos, o país começou a receber mais atletas vindos, principalmente, de EUA e Europa.

E era de ouro australiana dos anos 60

Os anos 60 foram uma era de ouro para o tênis australiano. Rod Laver, Roy Emerson e Margaret Smith venceram dezesseis dos vinte títulos possíveis. Margaret Smith (que mais tarde adotou o sobrenome Court) ganhou 11 títulos do torneio ao todo.

Rod Laver
Rod Laver acabou dando o nome da atual arena. FOTO: acervo

 

Margaret Court
Margaret Court é a maior campeã do torneio. FOTO: WTA

A era Open

Em 1969, nasceu a era Open e o nome do evento mudou novamente, agora em definitivo, para o Australian Open. Na década de 70, o torneio acabou, aos poucos, consolidando sua sede em Melbourne, principalmente por conta da facilidade de patrocínio. Primeiramente no Kooyong Lawn Tennis Club, depois no complexo Flinders Park, erguido em 1988 e posteriormente renomeado para Melbourne Park. A mudança de local foi primordial para o crescimento do torneio, que começou a ter rodadas noturnas e contabilizou um aumento no público total de 90%.

A quadra central do atual complexo, que tem capacidade para 14.820 espectadores, recebeu o nome do maior tenista australiano de todos os tempos, Rod Laver, citado anteriormente. Além de torneios de tênis, ela abriga também eventos de motociclismo, concertos musicais, conferências, balés e eventos da WWE (luta livre).

Outra curiosidade da era Open veio nos anos 80. O torneio quase sempre abria a temporada, em janeiro. Entretanto, em 1977, foi transferido para dezembro, o que resultou em dois torneios naquele ano. Isso durou até 1987, quando o evento voltou para janeiro. Como consequência, não houve torneio em 1986.

O problema do calor

O Australia Open, como já citamos, quase sempre foi jogado no verão australiano, onde a temperatura pode chegar a 45 graus celsius durante o dia. Por isso foi implementada uma “política de proteção ao calor”, que permite ao árbitro suspender os jogos se a temperatura chegar a 38 graus celsius e a umidade de 70%.

O calor também fez com que fossem construídos tetos retráteis em diversas quadras, que acabam sendo mais utilizados com o propósito de proporcionar um alívio para jogadores e torcedores do que propriamente para proteger da chuva.

A título de curiosidade, a menor temperatura registrada durante o torneio foi de 23º. Com temperaturas tão altas, estima-se que os espectadores cheguem a consumir mais 150 mil sorvetes e 190 mil garrafas de água em uma única edição.

As curiosidades

No que diz respeito a títulos, o sérvio Novak Djokovic é soberano entre os homens, com 7 títulos. Entre as mulheres, até hoje, ninguém se aproximou de Margareth Court, que tem 11 títulos. Curiosamente, Serena Williams, que é a segunda maior campeã do torneio, tem a mesma quantidade de títulos que Djoko.

Historicamente, o Australia Open não é um torneio de grande sucesso para os brasileiros. Em toda a era aberta, apenas três homens brasileiros chegaram à terceira rodada: Marcos Hocevar (1983), Jaime Oncins (1991) e Gustavo Kuerten (2004). Entre as mulheres, um resultado bem melhor: Maria Esther Bueno conseguiu um vice-campeonato. Como um todo, Bruno Soares foi o único a obter sucesso, na chave de duplas, ao lado de Jamie Murray, quando conquistou o título de 2016.

 

Alguns jogos foram verdadeiras batalhas, de várias horas. Pensando no calor que faz na Austrália, isso aumenta ainda mais a dificuldade de um jogo dessa natureza. Dois se destacam. Um deles é o duelo de 4h44, entre a italiana Francesca Schiavone e a russa Svetlana Kuznetsova, pelas quartas-de-final de 2011.

 

O outro é a épica final de 2012, com 5h53 de jogo entre Novak Djokovic e Rafael Nadal. Aliás, a maior da história dos grand slams.

Esse é um pequeno resumo da história do Australian Open. Como deu pra ver, ele é um torneio pra lá de curioso e, não atoa, é um dos que mais chama atenção na temporada.

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