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QUANDO OS JOGADORES VIRARAM NÚMEROS?

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Hoje vamos sanar mais uma dúvida recebida em nossas redes sociais. O Guilherme Reis mandou pra gente a seguinte pergunta: “quando os uniformes de futebol passaram a ter numeração e como foi definido que número representaria qual posição?”. Bom, essa história é longa.


A proposta de numerar as camisas dos jogadores de futebol surgiu com intuito de identificar e distinguir os jogadores dentro de campo. A ideia foi usada pela primeira vez e de forma oficial no dia 29 de abril de 1933, na final da FA Cup (a Copa da Inglaterra), no jogo entre Everton e Manchester City, no Wembley Stadium, na Inglaterra.

Por se tratar de uma experiência, a organização distribuiu os números de forma diferente da qual é nos dias de hoje: os jogadores do Everton, equipe mandante, ficaram com as camisas do 1 ao 11, e os visitantes, do Manchester City jogaram com as do 12 a 22.

Os atletas do Everton, James Dunn (Camisa 8), Dixie Dean (Camisa 9) e Jimmy Stein (Camisa 1) fizeram os gols da partida e o time ficou com o título, venceram por 3×0.

Um dos gols do Everton na vitória contra o City.
Um dos gols do Everton na vitória contra o City. FOTO: Getty Images

O resultado da proposta foi positivo, e a Football Association decidiu adotar o sistema de numeração já para as próximas temporadas na Inglaterra. Na época, muitos atletas não gostaram da ideia por acharem que, com os números na camisa, ficariam parecidos com presidiários.

 

No ano de 1950, no Brasil, durante a Copa do Mundo, a FIFA impôs como regra obrigatória o uso dos números nas camisas em todas as suas competições.

As experiências anteriores

Antes dessa partida oficial da FA Cup, foram realizadas outras experiências, sem padronização e muito regionalizadas, quase sempre por iniciativa das equipes envolvidas. Mesmo com pouca documentação e com algumas informações questionáveis, o primeiro registro de camisas numeradas no futebol data de 1911, num jogo entre times do Sydney Leichardt e do HMS Powerful, na Austrália.

A Argentina foi o primeiro país da América do Sul a utilizar numeração nos uniformes. Aconteceu em 10 de junho de 1923, quando um combinado do país enfrentou a equipe do Third Lanark da Escócia, que fazia uma excursão à América do Sul.

Um ano depois, em 30 de março de 1924, nos Estados Unidos, durante a partida entre Fall River Marksmen e do St. Louis Vesper Buick, o time da casa utilizou numeração em suas camisas.

Na Europa, a Inglaterra já havia utilizado numeração em uniformes numa ocasião anterior. Aconteceu em 25 de agosto de 1928, nos jogos Sheffield Wednesday x Arsenal e Chelsea x Swansea Town. Os números foram atribuídos para os jogadores de linha, por localização do campo, algo que viria a se tornar um padrão futuramente.

E como foi definida a numeração por posição?

Nunca houve um padrão. No início a posição em campo – partindo do goleiro e seguindo as linhas da direita para esquerda – foi a maneira encontrada para distribuir as camisas. Entretanto, como haviam variações táticas, nem sempre essas numerações eram usadas de forma uniforme. Por exemplo, alguns times numeravam a partir da dupla de zaga e outros pelo lateral direito. Até por ordem alfabética já aconteceu.

No Brasil, e em boa parte do mundo, os números que passaram a identificar posições foram as seguintes:

Goleiro – 1
Lateral-direito – 2
Zagueiro – 3
Quarto Zagueiro – 4
Volante – 5
Lateral-esquerdo – 6
Ponta-direita – 7
Meia-direita – 8
Centroavante – 9
Meia-esquerda – 10
Ponta-esquerda – 11

Mas, como dissemos anteriormente, não havia padrão, haja vista o centroavante Romário com a 11 e o meio Cruyff com a 14. A sequência de números posterior seria tradicionalmente direcionada aos reservas, mas com o passar do tempo isso passou a não ser mais uma referência.

Mais Curiosidades

Como forma de homenagear jogadores que foram importantes e contribuíram de modo significativo para o time, alguns clubes e seleções aposentam os números de suas camisas. A FIFA obriga que os times nacionais tenha todos os números, mas as seleções não são obrigadas a usá-los em competições não-FIFA ou em amistosos.

Com o fortalecimento da transmissão do futebol, para o Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, a FIFA obrigou as equipes a colocar o número também na frente das camisas, além do nome nas costas – o que facilita muito a vida de locutores esportivos e fotógrafos ao tentar identificar os jogadores em campo.

E tem o lado do preconceito também. Você sabia que muitos atletas de times brasileiros se recusam a usar a camisa com o número 24? Pois é, no jogo do bicho este número é representado pelo animal veado, usado como estereótipo para ironizar e ofender um homossexual. A recusa do número 24 é uma forma dos mesmos não serem questionados sobre a orientação sexual.

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