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CORINTHIANS GIGANTE OU SÓ UM POUCO MAIOR QUE OS OUTROS?

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O Corinthians conquistou um indiscutível heptacampeonato brasileiro. O merecimento do título não é questionável, mas a pergunta que permeou a maioria das discussões foi basicamente sobre a qualidade técnica da competição. Qual impressão ficou mais forte: a de que o Corinthians era muito superior ou a de que o nível da disputa foi muito baixo? Vamos pensar um pouco sobre isso? E, corintianos, fiquem calmos! Não vou desmerecer o hepta.

O começo do zero e sem convicção

O Corinthians começou o ano com o desconhecido Fábio Carille no comando. Por já estar no clube e conhecê-lo bem, Carille ficou no cargo porque a diretoria não conseguiu fechar com ninguém. Sem dinheiro, a única contratação de peso foi a de Jadson. Não teve Drogba, mas teve Jô, Kazim, Gabriel, Pablo…

Totalmente desacreditado, teve a história de quarta força paulista, que no fim de ano acabou sendo mais um argumento para a desforra corintiana. O clube também enfrentou dificuldades financeiras e problemas políticos no começo da temporada. Ou seja, o que deu certo no fim de ano passou longe de ser planejado. Podem por na conta do Carille.

Um novo grande técnico?

Ainda é cedo para cravar um futuro de glórias para Carille, mas ele realizou um baita trabalho em 2017. O técnico de 44 anos montou um sólido esquema de defesa, combinado com precisão no ataque, que levou a equipe a vencer 44 dos 81 jogos sob seu comando, perdendo apenas 14 vezes. O título paulista deu fôlego ao seu trabalho, que ainda foi posto em cheque depois da eliminação precoce na Copa do Brasil, mas a constância de resultados no Brasileirão consolidou suas convicções táticas e fez do Corinthians um time pragmático e eficiente. Com lampejos de futebol bonito.

Fábio Carille na festa do título.
Fábio Carille na festa do título. FOTO: Corinthians

Segundo o próprio Carille, em entrevista coletiva após a confirmação do título, o maior mérito de sua comissão “foi ter definido uma forma de jogar o quanto antes. Repetimos muito bola parada, de ataque ou defesa. Chegamos para o primeiro jogo com o São Bento com seis treinos definidos de bola parada”. E essa arma foi forte até o fim da temporada, sem exagerar nos cruzamentos. Dentre os grandes, o Corinthians foi apenas o décimo em cruzamentos, com média de 21,4 por jogo.

Era um elenco limitado, mas um time bem montado. Por isso, aponto Fábio Carille como maior responsável individual pelo título. Pena que isso não garante nem a permanência dele no time até o fim da Libertadores.

Os números da eficiência do Corinthians

Da segunda rodada em diante, o Corinthians não deixou a liderança. Dá décima rodada em diante, sua diferença para o segundo nunca foi menor que 4 pontos. O aproveitamento final foi 63,2%, mas chegou à casa dos 80%. Marcou apenas 0 gols no torneio, mas foi buscar a bola nas redes apenas 30 vezes, o que comprova sua eficiência.

Jô foi o grande destaque do título.
Jô foi o grande destaque do time do Corinthians. FOTO: Photo/Andre Penner

Jô, o goleador e craque do time (na falta de outro), deu aula de eficiência. Para quem não tinha credibilidade no começo do ano, a artilharia com 18 gols – muitos deles garantindo vitórias suadas por 1×0. Outros destaques foram Balbuena, Arana, Cássio, Pablo, Rodriguinho e Romero (esse nunca será craque, mas joga muito pelo time).

O Corinthians precisou de um turno para garantir o título. E que turno. Terminou invicto – como nunca antes nos pontos corridos – com 19 jogos, 14 vitórias e empatou cinco. Levou apenas 9 gols e somou 47 pontos (cerca de 65% do total). O próprio Jô fez 11 de seus 18 gols no turno. Indiscutível. Foi uma liderança tão avassaladora que desanimou os adversários. Aí, entramos em outra questão.

Baixo nível do Brasileirão

O futebol brasileiro tem um nível baixo sim, mas precisamos ter calma ao analisar o Brasileirão 2017. Não temos craques e são poucos os bons times. O Corinthians era, ao lado do Grêmio, o mais bem montado dos competidores e por isso se destacavam como candidatos ao título. Flamengo, Galo e Palmeiras tinham grandes elencos não não deram certo. O Atlético se perdeu ao longo do ano. O rubro-negro focou nas Copas e foi vice em ambas (do Brasil e Sul-Americana). O Palmeiras viu seu ano ruir em menos de um mês ao cair na Libertadores e na Copa do Brasil. E o Grêmio com a cabeça na Libertadores..

Assim sendo, o Timão, que tinha só o Brasileirão com que se preocupar nadou de braçada. Com o alvinegro disparando na frente, os demais simplesmente desistiram, mostrando que os times brasileiros ainda não sabem jogar pontos corridos. Se tivessem ouvido Renato Gaúcho, quando disse que o Corinthians despencaria do returno, talvez houvesse emoção na reta final. O curioso é que nem o time de Portaluppi o ouviu.

Muros do Parque São Jorge foram pichados
Muros do Parque São Jorge foram pichados. Nem o Corinthians escapou dos protestos. FOTO: Marcelo Braga

O Corinthians teve um queda de rendimento tão grande que acabou sendo até ameaçado pelo Palmeiras, mas nada que comprometesse a conquista – afinal, os clássicos paulistas foram dominados pelo alvinegro. A queda de rendimento gerou até o desespero do comentarista corintiano Neto… Um exagero, afinal da conta ninguém queria mesmo ganhar o título. Um bom exemplo foi o Santos, que não saiu do lugar quando chegou à vice liderança e o Cruzeiro, que poderia ter chegado na briga, se não tivesse entrado de férias depois da conquista da Copa do Brasil.

A conclusão

Enfim, podemos dizer que a questão não é só a ruindade dos times. É o pouco valor que se deu ao campeonato. Ninguém tem um timaço, então quem está mais arrumado lega vantagem. No caso, o Corinthians. Mas qualquer um poderia disputar o título com o alvinegro, se não tivessem desistido ao fim do primeiro turno. Mas o caneco ficou na mão de quem mereceu. Portanto, se não foi uma campanha monstruosa, como o primeiro turno anunciou, esse Corinthians foi um campeão digno. Não vai ficar pra história como super time, mas como um campeão ao caso. Mas um grande campeão, naturalmente.

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