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Irretocáveis! O triunfo de Jürgen Klopp

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Depois de 30 anos de jejum, o Liverpool enfim é o grande campeão da Premier League.

Segundo maior campeão nacional, os Reds ainda não possuíam um título inglês desde a modernização da liga, em 1992. Campeão pela última vez em 1990, os vermelhos viram o Manchester United, seu maior rival, acumular 13 títulos ingleses, o grande Arsenal de Wenger, o irretocável Chelsea de José Mourinho e depois de Antônio Conte; o Blackburn de Dalglish, o bicampeão City de Guardiola e o pequeno gigante Leicester de Ranieri.

Batendo na trave cinco vezes nesses 30 anos, com oito técnicos diferentes desde então, coube ao alemão Klopp a façanha de trazer o título de volta para Anfield. Mas antes, vamos contextualizar como tudo começou.

O INÍCIO DA TRAJETÓRIA

Outubro de 2015, sem qualquer expectativa com Brendan Rodgers – principalmente depois do vice em 2013/14-, o Liverpool decide demitir o irlandês. Para substituí-lo, os dirigentes vermelhos apostaram em um nome midiático e que estava desempregado há pouquíssimo tempo. Campeão com o Borussia Dortmund, quebrando a hegemonia do Bayern de Munique, e finalista da UCL com o modesto aurinegro, Jurgen Klopp foi o escolhido para guiar os vermelhos. Klopp em sua entrevista coletiva inicial foi enfático:

– “Se não formos campeões em 4 anos, então serei técnico na suíça. ”

Jürgen Klopp na sua apresentação ao Liverpool. FOTO: AP Photo/Jon Super

Em sua primeira temporada, o Liverpool chegou em duas finais: Copa da Liga Inglesa, perdida nos pênaltis para o Manchester City; e a grande final da Europa League, contra o Sevilla, que viria a ser pentacampeão na ocasião. Mesmo com a derrota na decisão, jogos memoráveis marcaram a trajetória dos Reds, inclusive contra o ex-clube de Klopp, num 4×3 espetacular. Com os dois títulos perdidos e um oitavo lugar na tabela, Klopp começava a moldar sua equipe.

Na segunda temporada, desta vez completa, Jurgen começava a trazer jogadores para modificar seu plantel. Joel Matip (ex-Schalke 04), Wijnaldum (ex-Newcastle) e o mais importante deles, Sadio Mane, mais um jogador do Southampton. Eliminado precocemente da FA Cup, diante do Wolverhampton (que não era nem sombra do bom time comandado por Nuno Espírito Santo), e caindo na semifinal da Copa da Liga, contra o Southampton, restou mais uma vez o campeonato inglês até o fim do calendário. Veio então um quarto lugar e uma classificação à Champions League.

Na terceira temporada, novamente eliminado precocemente das Copas locais, sobrava a Champions e a Premier League para o Liverpool. Entretanto, precisamos destacar as chegadas de Karius, Mohamed Salah e Ox-Chamberlain. Teve também a perda de Coutinho e a contratação de Virgil van Dijk nos primeiros dias da janela de inverno. Com uma campanha sem erros na Liga dos Campeões, os Reds chegaram invictos até a semifinal da competição, carregando a eliminação de grandes clubes na bagagem, como o City de Guardiola e a Roma de Alisson, que eliminou o Barcelona naquela temporada. O elenco era curto e o Liverpool acabou sendo vice naquela oportunidade, depois da contusão de Salah, seu melhor jogador e de falhas grotescas de Karius, responsável direto pelos três gols feitos pelo Real Madrid.

Na quarta temporada e melhor até aqui, o Liverpool trouxe Alisson e Fabinho, reforçando ainda mais o elenco. Novamente eliminado das Copas domesticas, o Liverpool fez a sua melhor campanha na Premier League, sendo derrotado apenas uma vez, em 38 jogos. Porém, com o gosto amargo do vice-campeonato. Em uma retomada inacreditável, o City conseguiu tirar os 10 pontos de vantagem dos Reds e foi campeão pela segunda vez consecutiva. Sem baixar a guarda e com seus 97 pontos na tabela, um a menos que o campeão, o Liverpool caminhava mais uma vez para a grande final da Champions League, desta vez contra o Tottenham.

Mas é preciso destacar a grande virada contra o Barcelona na semifinal, sem dois dos seus melhores atletas; Salah e Firmino. Perdendo a partida de ida por 3×0, coube a Wijnaldum e Origi a incumbência de fazer o placar que o Liverpool precisava. Um 4×0 histórico e que começou a caracterizar o belo time moldado por Jurgen Klopp.

 

Campeão diante do Tottenham, o Liverpool quebrava um jejum de mais de oito anos sem títulos, automaticamente cumprindo a promessa feita por Klopp, lá em 2015.

Festa do Liverpool em Madrid.
Festa do Liverpool em Madrid. FOTO: Divulgação/ Liverpool FC

A TEMPORADA DOS SONHOS

Logo no primeiro jogo oficial do ano, na Community Shield, o Liverpool enfrentaria novamente o City. Em Wembley, depois de um jogo morno e terminado em 1×1, os Reds foram eliminados nos pênaltis e viu o City ser mais uma vez campeão.

Veio o início da Premier League e Alisson Becker se lesionou logo no primeiro jogo. Coube a Adrian, o único jogador contratado por Klopp na janela de transferências, realizar os trabalhos. Outra supercopa estava no caminho, desta vez contra o Chelsea, em Istambul, lugar de tantas memorias agradáveis dos torcedores. Em um jogo emocionante de placar 2 a 2, Adrian seria o herói do Liverpool e ajudaria o clube a conquistar seu segundo título da era Klopp (o espanhol defendeu a última cobrança dos Blues).

Empatando uma única vez, contra o Manchester United, em outubro, o Liverpool chegou a abrir mais de 15 pontos de diferença e parecia até então imbatível no campeonato inglês, indo para o Catar, com a credencial de ser o melhor time europeu do momento. O tal Mundial de Clubes chegou e com ele a possibilidade de vingar o Flamengo, algoz dos vermelhos em dezembro de 1981. Em um jogo dificílimo, que foi decidido no minuto quatro do primeiro tempo da prorrogação, o Liverpool conquistou seu terceiro título da era Klopp, honraria que não estava presente em seus 127 anos de história. Vê se pode, o maior campeão da Champions no país não era campeão mundial.

RETORNO À INGLATERRA

Com a taça inédita na bagagem, o Liverpool desembarcou na Inglaterra e seguiu firme e forte na busca pela Premier League. Sem margem para erro e com uma invencibilidade de 44 jogos no “inglesão”, o Liverpool acabou sucumbindo diante do Watford, em 29 de fevereiro, sendo derrotado pela primeira vez no campeonato. A taça estava mais próxima naquela ocasião, mas a possibilidade de ser invicta deixava os olhos dos torcedores brilharem.

Na Champions League, novamente sem Alisson, o Liverpool caiu diante do Atlético de Madrid, em Anfield, deixando todas os olhos voltados para o seu grande sonho.

Inexplicavelmente, o mundo foi atingido por uma pandemia e os campeonatos precisaram ser paralisados por cerca de 100 dias. Com possibilidades de cancelamento e rodeada de incertezas, seria a COVID19 a responsável por tirar a possibilidade do Liverpool quebrar o jejum? Claro que não!

Sem o público nos estádios e cheio de diretrizes, o Campeonato Inglês foi retomado e os Reds enfim poderiam caminhar para conquistar seu sonho. No primeiro jogo no reinicio da competição, veio o grande clássico local, o Merseyside Derby contra o Everton de Carlo Ancelotti. Um 0x0 morno e um adiamento da conquista, já que o Liverpool precisava de apenas seis pontos para ser campeão, sem depender de ninguém, apenas de si.

Três dias depois, o Liverpool passeava contra o Crystal Palace, ah o Palace… responsável por tantas tristezas e magoas aos Reds. O placar foi 4×0 e o time não deixou o adversário ver a cor da bola, ficando ainda mais próximo de sua conquista. Com os olhos voltados para o confronto entre City e Chelsea, no Stamford Bridge, um dia depois, a torcida se apegava na possibilidade de uma vitória dos Blues ou um empate para tirar o grito de 30 anos entalado na garganta. Quando Pulisic fez o 1 a 0, o sentimento foi inigualável! A espera seria agora de longos 45 minutos. O City voltou sufocante e empatou o placar, nada que atrapalhasse a festa, já que o resultado também era favorável ao Liverpool.

No final da partida, Fernandinho meteu a mão na bola, literalmente, e o Chelsea tinha a chance de voltar à frente no placar. Willian na cobrança e gol dos Blues, fazendo dois clubes vibrarem ao mesmo tempo.

Quando o juiz apitou o final de jogo, um peso saia das costas de Klopp e da maior torcida da Inglaterra. O elenco quebrava um jejum de 30 anos e conquistava a sua décima nona taça, a primeira desde a modernização do campeonato.

O alemão ganhou seu quarto título no clube e vai com certeza ficar para sempre no coração dos vermelhos. Parafraseando o grande Paulo Andrade: “a Premier League jamais caminhará sozinha”.

Trio brasileiro comemora o título da Premier League.
Trio brasileiro comemora o título da Premier League. FOTO: Foto: Phil Noble/Reuters

Não foi possível conquistar o recorde de vitórias e de pontos da Liga, já que o retrospecto do Liverpool não foi muito favorável no pós título, mas isso não é nada perto de toda a felicidade no coração da torcida, que esperou tantos anos por essa coroação. Como bem disse Jurgen Klopp, a conquista é uma forma de homenagear os torcedores e também os grandes ídolos – Kenny Dalglish e Steven Gerrard.

Liverpool Football Clube, campeão da Premier League 2019/20.

Liverpool campeão da Premier League.
Liverpool campeão da Premier League. FOTO: divulgação Premier League

 

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