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EUA x CROÁCIA – O ESPETÁCULO DO DREAM TEAM EM BARCELONA

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Provavelmente nenhum fã teria noção do que se tornaria o basquete mundial depois das olimpíadas de 1992, em Barcelona. Foi nessa edição dos jogos que os fãs conheceriam a seleção de basquete Olímpica mais desejada e bem estruturada de todos os tempos.

Por que montaram o Dream Team?

Ninguém superava os Estados Unidos desde que o basquete se tornou um esporte olímpico no país. Entre 1936, época da Alemanha nazista, até 1972, na robusta Alemanha das Olimpíadas de Berlim, os Estados Unidos se manteve invicto. Até que em 1972 sofreram a sua primeira derrota para a União Soviética. Como o esporte da bola laranja sempre foi excelência no país, a derrota os deixou arrasados.

Um fato que merece destaque é que em grande parte das ocasiões, principalmente nas décadas de 70 e 80, eles levavam os atletas universitários. Entretanto, é importante dizer que a NCAA, a liga americana universitária, era forte e servia de base para a maioria dos atletas chegarem a NBA, que é a liga profissional. Por isso, mesmo sendo universitária, a seleção era forte. Até o momento dessa primeira derrota ninguém dava importância para isso. Mas os anos foram passando e mais derrotas foram aparecendo na competição.

Por motivos de boicote, os americanos não foram jogar em Moscou. O ouro ficou com a Iugoslávia, em 1980. Em 1984, os Estados Unidos volta a ganhar o ouro olímpico sem a presença do bloco socialista, que devolveu o boicote. Quatro anos depois, sua ferida foi reaberta quando sofreram novamente uma derrota para a União Soviética terminando com o bronze.

Suas oportunidades na conquista do ouro também foram perdidas em outras competições. Terminou em 7º na Colômbia em 1971, 2º nos Estados Unidos em 1987 e 3º em 1991 em Cuba nos jogos Pan Americanos. Já em Mundiais, conquistou três medalhas de prata (1950, 1959 e 1982) e duas de bronze (1974, 1990), além de não subir ao pódio em 1963 e 1967, terminando em 4º lugar em ambas.

No dia 7 de Abril de 1989 foi aberta uma votação na FIBA (Federação Internacional de Basquete) para definir se atletas profissionais poderiam disputar competições olímpicas e internacionais. Foram 53 votos a favor e 13 contra. Agora já não estava mais na mão dos universitários disputar tais competições. Os Estados Unidos iria reconquistar sua honra no esporte com os jogadores que disputavam a melhor liga de basquete profissional do mundo.

Atletas posam com os anéis olímpicos.
Atletas posam com os anéis olímpicos. Foto: Divulgação/USA Basketball

O maior time da historia

Michael Jordan, Scottie Pippen (Chicago Bulls), Jonh Stockton e Karl Malone (Utah Jazz), Magic Johnson (Lakers), Larry Bird (Boston Celtics), Patrick Ewing (New York Knicks), Charles Barkley (Philadelphia 76ers), David Robinson (San Antonio Spurs), Chris Mullin (Golden State Warriors), Clyde Drexler (Portland Trail Blazers), e Christian Laettner. Este ultimo era um jogador universitário escolhido pelo time pois achavam que a tradição de ter universitários na equipe deveria permanecer. Realmente, o time dos sonhos, em tradução livre.

O icônico Dream Team de Barcelona
O icônico Dream Team de Barcelona, 1992. FOTO: Arquivo USA Basketball

Muito bem preparados pelo treinador Chuck Daly, lendário técnico do Bad Boys Pistons, de Detroit, passaram com invencibilidade pela fase pré-olímpica com a média de 51,5 pontos de vantagem sobre os seis adversários diante de sua torcida.

Barcelona 1992

Com tantos astros da NBA reunidos, já era de se imaginar que a chegada em Barcelona seria um alvoroço. “Era como se Elvis e os Beatles tivessem chegado juntos”, disse o técnico Daly. Porém, diferente dos astros do rock, os jogadores de basquete receberiam um tratamento tanto quanto incomum.

Os astros sempre estavam acompanhados por guarda costas e andavam com o carro blindado para irem aos treinos e jogos. Além dos admiradores que os cercavam, o time tinha que conviver com algumas supostas ameaças de morte. Sua estadia se baseava dentro de um hotel com diária de 1000 dólares e homens com metralhadoras mantendo a segurança enquanto tomavam banho de piscina.

“As pessoas achavam que não queríamos ficar na Vila Olímpica porque nós nos considerávamos importantes demais. A verdade é que ficamos isolados devido às ameaças de morte. Disseram-nos que se algum atleta do ‘Dream Team’ fosse abatido por terroristas, isto seria considerado um grande triunfo para eles”, disse Barkley. A claustrofobia pelo confinamento o levava a andar pelas ruas de Barcelona acompanhado de fãs e, claro, seguranças.

Os astros dos EUA eram a grande atração dos Jogos.
Os astros dos EUA eram a grande atração dos Jogos. FOTO: Getty Images

Barcelona foi palco de atuações impressionantes dos gigantes. Conquistaram todas as vitorias com grandes vantagens. A menor margem sobre seus adversários foi de 33 pontos, e a maior, de 68.

Jogo final

Antes de começar, o narradores da TVE da Espanha alertam as pessoas que devem desfrutar do jogo, pois nunca mais viriam um time daqueles reunido novamente.

As arquibancadas receberam presenças ilustres de Michael Douglas, Jack Nicholson, grandes astros de Hollywood, sem contar com grandes personalidades Mundiais.

Os Estados Unidos entra em quadra com Jordan, Magic, Pippen, Malone e Ewing. O Dream Team não mostrou o bom desempenho, fazendo a Croácia chegar a ficar na frente uma vez no primeiro tempo.

Jordan não mostrou seus ótimos desarmes diante do ataque da Croácia. Todos atentos a Magic, por ocasião de sua parada.

Do outro lado a seleção Croata era bastante defensiva. Com o contra-ataque rápido, não dava tempo da defesa adversaria se organizar. A defesa americana a todo tempo sedia espaço para o bem entrosado trio Kukoc, Rada e Drazen Petrovich.

O jogo praticamente não parava. As rotações e jogadas dos dois times, apesar de simples, eram muito bem executadas.

Barkley era a grande atração para os torcedores.
Barkley era a grande atração para os torcedores. FOTO: Getty Images

As equipes foram para o vestiário com o placar de 56 a 42 para o time dos Estados Unidos. A vantagem de 14 pontos ainda não agradava o treinador Chuck Daly.

A Croácia volta a segunda etapa com o mesmo esquema de jogo, atacando pelas laterais. Os americanos voltaram bem armados defensivamente. Apesar do placar alto, havia muita marcação no jogo, principalmente por parte de Draxler, o destaque pelo lado dos EUA aos lado Barkley. Apesar de menos badalado, não era surpresa seu desempenho, pois além de marcar bem, figurou entre os cinco maiores pontuadores da competição, por parte dos estadunidenses.

As duas equipes jogaram o seu melhor, mas os estados unidos sobraram. O jogo praticamente não parava.
O Dream Team comandava o jogo, principalmente com cestas de 3 pontos. E Jordan manteve-se muito abaixo do que se espera dele, apesar disso não deixa-lo abaixo dos outros “mortais” – foi o cestinha da sua equipe no jogo.
A torcida se levanta com os últimos 15 segundos de jogo. A final histórica terminara em 117 a 85.

Legado

É inegável que os frutos gerados pela aparição do Dream Team naquele ano se perpetuaram na história. Porém, os valores mercadológicos, sociais, e a grandiosidade dos jogadores não seriam reconhecidos mundialmente se não fosse pela participação do comissário da NBA na época, David Stern.

Stern junto a Jordan e Magic.
Stern junto a Jordan e Magic. FOTO: NBAE / Getty Images

O basquete americano disputava à época espaço com grandes ligas de futebol americano e beisebol. Para alavancar a franquia da Nacional Basketboll American, o comissário, que assumia este cargo no mesmo ano que Jordan entrara no profissional em 1986, viu as olimpíadas como um trampolim para o reconhecimento. Não bastava ser reconhecido em um pais, teria que ser mundialmente.

Após a indicação de Stern dos melhores para a disputa do ouro, Jordan, considerado o melhor jogador do mundo na época, viu sua marca ser seguida, conhecida e admirada internacionalmente.

O reconhecimento da liga após as olimpíadas facilitou a entrada de muitos Europeus na NBA. Um exemplo foi Toni Kukoc, craque croata que brilhava na Europa e disputaria a liga americana pelos Bulls em 1993.

Nunca mais um time jogou como aquele. Um espetáculo. Todas as equipes que vieram depois, por melhores que fossem, vencendo ou perdendo, não tinha tantos jogadores geniais reunidos como aquele time tinha. Sem falar no melhor de todos. Jordan.

Em 2010, a grandiosidade daquele time foi registrada na Cidade de Springfield em uma celebração que colocaria essas estrelas no Hall da Fama.

Jordan celebra a conquista no pódio.
Jordan celebra a conquista no pódio. FOTO: REUTERS/Ray Stubblebine

Ficha Técnica

LOCAL: Palau D’esportes de Badalona, Barcelona, Espanha.
DATA: 8 de agosto de 1992.
PÚBLICO: 12.760 presentes.
ÁRBITRO: Wieslaw Zich (Polônia) e Richard Steeves (Canadá).
CESTINHAS: Petrović (24 pts) e Jordan (22 pts).
EUA – Jordan, Magic Jonson, Pipen, Malone e Erwin. Barckley, Bird, Drexler, Mullin, Robinson, Stockton e Laettner. Técnico: Chuck Daly.
CROÁCIA – Petrović, Kukoć, Rada, Komazec e Vranković. Arapović, Perasovic, Gregov, Naglić, Tabak, Alanović e Cvjeticanin. Técnico: Petar Skansi.

Como bem disse o narrador da TV espanhola, desfrute da partida:

 

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