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POR QUE OS ESTÁDIOS DE FUTEBOL AMERICANO GERALMENTE NÃO POSSUEM COBERTURA?

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Hoje estreamos uma sessão de respostas para as dúvidas que nossos seguidores mandam. Não tenham vergonha, podem mandar quantas perguntas quiserem. Afinal, Perguntar Não Ofende!

Pergunta de Vinícius Araújo (São Paulo-SP): Estava vendo alguns dados do MetLife Stadium, que na minha opinião e, com base nos dados, é com certeza uma das arenas Top 3 no mundo, em quesito modernidade. Mas não tem cobertura… O público fica sujeito a intempéries dos mais variados tipos. Isso não é algo ruim para quem deseja conforto em um estádio? Por que os estádios de futebol americano geralmente não possuem cobertura?

O moderno MetLife Stadium, em New York, sem cobertura. FOTO: NFL
O moderno MetLife Stadium, em New York, sem cobertura. FOTO: NFL

R: É uma ótima pergunta, Vinícius, que apesar de não possuir uma resposta oficial, nos levou a listar uma série de fatores para explicar essa “tendência”.

Na condição de componente do blog e sendo da área de engenharia, não achei sua dúvida de forma nenhuma uma dúvida “besta”. É bem interessante principalmente porque nunca tinha parado para pensar nisso, então fui dar uma pesquisada e cheguei a algumas situações.

Primeiro que, se você analisar bem, não só os estádios de futebol americano, como também os grandes estádios de futebol do mundo não têm cobertura integral (sobre arquibancadas e campo). Por exemplo, nas duas últimas copas do mundo de futebol realizadas, com 22 estádios construídos/reconstruídos, nenhum era coberto integralmente (a Arena da Baixada até contava com uma cobertura retrátil no projeto inicial, mas virou lenda…). Na Copa do mundo da Rússia, em 2018, terá apenas um de seus 12 estádios com cobertura retrátil (pelo menos em projeto, a cobertura sobre o campo se abre), que será o de São Petesburgo (que é uma cidade muitíssimo fria no inverno), onde joga o Zenit. E pasme, para a Copa do Qatar, em 2022, nenhum dos 12 estádios terá cobertura integral. E se é para uma Copa do Mundo, no Qatar, em 2022, o que não falta e tempo, dinheiro, necessidade de resfriar o ambiente e vontade de esbanjar a melhor estrutura já vista numa copa.

O milionário estádio dos Cowboys. FOTO: Wikipedia
O milionário estádio dos Cowboys. FOTO: Wikipedia

Acontece que o principal motivo, que é muito decisivo na hora de pensar um estádio com campo de grama (de “football” ou “soccer” por exemplo), é o custo de manutenção da grama. Gramados que não tomam sol adequadamente, em quantidade e horário adequados, estão fadados ao fracasso.

O homem ainda não conseguiu chegar nem perto de inventar uma tecnologia que “imite” o efeito da incidência de sol no gramado e o que mais de aproxima é muitíssimo caro e mesmo assim ainda não é suficientemente próximo. Mas muito caro mesmo, a ponto de inviabilizar a manutenção do estádio pelo resto de sua vida útil.

Tanto é que, como disse antes, estádios cobertos integralmente são a exceção da regra, e dentre esses, um estádio que não conte com alternativas para fazer o gramado pegar um solzinho é a exceção da exceção da regra. Seja uma cobertura retrátil, como a Veltins Arena, de Gelsenkirchen, estádio do Shalke 04, utilizado na copa de 2006. Ou até a ousadia de fazer uma cobertura fixa, sobre um gramado que saia do estádio para receber luz como o Sapporo Dome, em Sapporo no Japão (sempre os japoneses…), utilizado na copa de 2002.

O futurista Sapporo Dome e a solução japonesa para a questão da grama. FOTO: Divulgação
O futurista Sapporo Dome e a solução japonesa para a questão da grama. FOTO: Divulgação

E isso não é privilégio apenas de estádios cobertos integralmente. Estádios com coberturas apenas sobre arquibancadas, que são muito fechadas, causam problemas graves no gramado, onde agrônomos gastam fortunas para deixar o palco dos artistas do esporte em boas condições. É o caso do moderníssimo e lendário estádio de Wembley e do não menos lendário Maracanã. Nestes estádios, são colocadas luzes artificiais especiais para tentar suprir a falta de sol algumas partes do gramado. Estas luzes não só são caríssimas, como também gastam um absurdo de energia elétrica para funcionarem. Em um mundo com necessidade de aumentar a sustentabilidade, não é de bom tom gastar tanto com um capricho desses.

Logo, a tendência dos estádios novos não apenas contempla um campo descoberto como também, construir a cobertura sobre as arquibancadas com materiais especiais que deixem a luz do sol passar, e, para isso, existem inúmeras membranas, placas de fibra de vidro, etc…

O Superdome de New Orleans foi um dos precursores do formato dome. FOTO: NFL
O Superdome de New Orleans foi um dos precursores do formato dome. FOTO: NFL

Além disso, não é exatamente simples cobrir um estádio. Um lugar onde teremos vibrações violentas; vãos enormes para serem vencidos (não podemos ter colunas no meio da cobertura); necessidade de a cobertura ser retrátil; o tamanho e o formato, eventualmente arredondado, com a parte inferior com algumas áreas vazadas, faz com que o vento exerça uma força bem grande na cobertura (sim, isso é muito importante no dimensionamento de uma cobertura) e ainda, o custo elevadíssimo para a construção de uma estrutura dessas, para no final das contas, atrapalhar o gramado. Definitivamente, construir um estádio coberto não é uma boa ideia, mas sim um grande desafio.

Fechando um pouco na NFL, para ter um olhar mais focado, consultamos o nosso jornalista, Círio Oliveira, fã incondicional dos esportes americanos. Mediante uma pesquisa, ele ponderou algumas coisas:

“Cara, é tradição, desde o College Football, que os estádios sejam em formato de Bowl – ou seja, há 100 anos. Se é complicado fazer coberturas hoje, imagina naquela época. Além de que, esse formato de Bowl vem desde a obra do Coliseu, na Roma antiga. Aliado ao fato da tradição, pode-se colocar que o clima de certas regiões pode favorecer o time da casa, que tem costume em jogar nestas condições. Vide o Green Bay Packers, no Lambeau Field, que em Dezembro e Janeiro, joga com temperaturas perto ou abaixo de 0 com muita neve. Outras equipes podem optar pelo conforto para torcedores e equipes, com os estádios estilo “dome”, que são todos recentes, com exceção do Superdome dos Saints”.

A neve como aliada do Packers, no Lambeau Field. FOTO: ESPN
A neve como aliada do Packers, no Lambeau Field. FOTO: ESPN

Enfim, Vinícius, não é lá muito simples ter um Dome hoje em dia. Por isso arenas como o AT&T Stadium (Cowboys Stadium), o Superdome, o Georgia Dome, o Ford Field, o Edward Jones, o Hubert H. Humphrey Metrodome e Lucas Oil Stadium, são exceção a regra.

Tem alguma dúvida? Uma curiosidade que gostaria de saber? Mande pra gente!

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6 Comments

  1. Bruno Rodrigues
    14/07/2016 at 16:32 — Responder

    Muito bom texto.

    Só faltou mencionar que nestes “domes” da NFL citados no fim do texto e nas fotos (Cowboys Stadium e Superdome) o gramado é artificial.

  2. Jadson
    14/12/2015 at 15:07 — Responder

    Eu entendi que a pergunta dela não foi sobre coberturas que fecham totalmente os estadios, mas sobre coberturas como a do Old Trafford, Anfiel Old, Maracanã, Arena Independência…
    A minha seria essa: Por que muitos estádios americanos não tem nenhuma cobertura (não necessariamente que o cobre todo)?

    • Murilo L.
      05/04/2016 at 19:28 — Responder

      Mesmo cobrindo as arquibancadas o gramado não tem a luz solar por completo, exemplo o Maraca, que precisa de luz artificial, sendo ela a corbertura somente nas arquibancadas…imagina um estadio totalmente coberto

  3. Gera K.
    18/11/2014 at 13:10 — Responder

    Para um comentário ter credibilidade é necessário que aquele que escreve tenha conhecimento do assunto em questão. O teto retratil da Arena do Atlético não virou “lenda” conforme consta na matéria. Sua colocação ficou prevista pós copa e já iniciaram sua colocação.

    • Glauber Maia
      19/11/2014 at 1:54 — Responder

      Olá.
      Ato falho meu, ao escrever que a cobertura retrátil da Arena da Baixada tinha virado lenda. De fato a sua instalação teve início no começo de setembro, e apesar de ter apenas uma das 12 vigas componentes da estrutura instalada, a previsão de término é para março de 2015.

      Peço desculpas aos leitores pela informação errada, apesar de não ter visto nada a respeito antes do amigo Gera K me chamar à atenção para o fato e só então procurar no noticiário curitibano, pois por aqui em Minas, nada indicava que a obra não estava mais no mesmo pé do período da copa…

      Esteja sempre a vontade para ajudar na elucidação dos fatos. A seção é justamente para interação com os leitores e o crescimento de todos. Muito obrigado pela ajuda.

      • Renato
        24/12/2018 at 9:43 — Responder

        Já virou realidade! Mas o gramado é sintético.

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