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CENTRAL 3 E A MÍDIA INDEPENDENTE NA PODOSFERA

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Faz uns cinco anos que o Glauber Maia, companheiro de blog, nos apresentou o podcast “Meu Time de Botão”, mais especificamente o episódio sobre a Hungria de Puskás. Aí conhecemos a Central 3, um estúdio especializado em podcasts, que traz conteúdos de esporte, política, sociedade e outros temas, com olhares diversos e uma linha editorial, acima de tudo, independente. Naquela época, falar de podcasts era algo muito de nicho, pois a grande maioria das pessoas não sabia nem o que era. Como assim, rádio on-demand? Pois as coisas têm mudado.

Cada dia mais pessoas conhecem e passam a consumir podcasts. No Brasil, por exemplo, esse formato de distribuição de conteúdo em áudio teve seu consumo ampliado em 67% entre 2018 e 2019, segundo um estudo da plataforma de streaming Deezer. Com a pandemia, o crescimento seguiu. Segundo o Spotify, o consumo de podcasts dobrou no segundo trimestre de 2020 entre os ouvintes da plataforma. Grandes players do mercado, como a poderosa Globo, passaram a investir pesadamente nesse formato.

Mas o lugar da mídia independente nesse formato de conteúdo segue sendo defendido por projetos como o da Central 3, que já é um de seus expoentes na podosfera brasileira.

Na entrevista abaixo, falamos com o jornalista Leandro Iamin, um dos responsáveis pela C3 e a voz por presente em tantos programas casa.

O jornalista Leandro Iamin é um dos responsáveis pela Central 3.
O jornalista Leandro Iamin é um dos responsáveis pela Central 3.

1. Quem é o Iamim e o que é a Central 3? Quando ela veio e por que motivo?

Sou um jornalista que já fez muita coisa antes da C3, e a C3 é um estúdio cuja especialidade é o podcast, mas produz material de áudio diverso. Ela existiu quando conheci o Xico, meu sócio. Ele, advogado, eu, jornalista, e ambos com uma coisa em comum: gosto por rádio e insatisfação com os trabalhos da época. Unimos forças para realizarmos este desejo em comum.

2. O que é a mídia independente sobre sua ótica? Quando você decidiu ir pelo caminho dela?

Eu não decidi por este caminho: apenas vi que as portas da mídia formal estavam cada vez mais fechadas. A mídia independente representa a escolha editorial mais livre possível, e traz consigo um efeito: para praticá-la você se propõe a algum prejuízo.

3. Qual o maior desafio?

O maior desafio é a conquista de credibilidade. Sem o “selo” das grandes e históricas corporações, a conquista da confiança do público é muito mais difícil.

4. Modelo de financiamento. Como se manter de forma viável?

Aluguel do estúdio, financiamento coletiva, venda de patrocínios e complemento vindo de outro negócio. Fechar as contas de um jeito saudável é um desafio.

Para conhecer o financiamento coletivo da Central 3, clique aqui.

5. Formato e rotina: como definir isso?

Minha rotina é um caos, administrar gravações de mais de 25 grupos por semana significa receber mensagens e e-mails e editar materiais demais em pouco tempo.

6. Ela é o futuro ou já é o presente? Vai continuar crescendo? Para qual direção??

A tendência é que o podcast nos próximos 2 ou 3 anos se case definitivamente com o mercado comercial. Ainda é um namoro, mas já frutífero. Ela é o futuro próximo.

7. Imparcialidade e parcialidade: existe espaço para as duas? Como lidar com as narrativas?

O jornalismo precisa ser exato no que relata. O ponto de vista comentado que vem a seguir tem a assinatura de quem fala, e, neste momento, não existe isenção, nunca em nenhum lugar.

8. A imprensa tradicional sofre mais com a crise no seu modelo de negócio ou com a crise de legitimidade e os questionamentos da sua informação?

Não me sinto preparado para falar dos motivos do colapso da imprensa tradicional. Mas creio que a perda crescente de confiança do público consumidor desta imprensa indica que, além da luta comercial e tecnológica, a imprensa tradicional precisa entender onde está o gargalo da luta narrativa.

9. O que é ser jornalista neste contexto? O público quer um emissor, um intermediário ou um mediador (se é que o público sabe o que quer)?

Ser jornalista é exercitar a responsabilidade diariamente. Emissor, mediador, somos tudo isso ao mesmo tempo.

10. Qual o papel da mídia independente diante do atual cenário da grande mídia atual, principalmente no campo esportivo??

São muitos. Destaco o papel de abraçar as pautas rejeitadas pela grande mídia.

11. A relação entre redes e “mundo” (rua, campo, quadra, cotidiano) é pautada em troca. Em que medida a mídia independente propicia essa troca e o quão benéfica e construtiva ela é?

Acho que nesse ponto, o papel dela não se diferencia de nenhuma outra.

12. Para encerrar: se a Central 3 fosse lembrada por dois casos – uma bola dentro e uma boa fora – quais seriam?

A bola dentro: um dia escrever uma mensagem para o José Trajano, achando que ele ia dizer não – ele disse sim. A bola fora: já tivemos de lidar com programas de mensagem agressiva e grosseira, e tivemos que tirar do ar, mas faz parte da vida. 

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Ainda não conhece a Central 3? Se interessou e quer ver os conteúdos que eles disponibilizam? Então acesse o site e os feeds!

central3.com.br

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