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NACIONAL OU DEL VALLE NO TOPO DA AMÉRICA

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Nacional de Medellin e Independiente del Valle decidirão a Libertadores. A historia de um clube pequeno que desbanca favoritos, supera gigantes com um time teoricamente limitado. O futebol, mais que qualquer outro esporte, sabe proporcionar feitos épicos assim. E especificamente neste ano, podemos dizer que os tais deuses do futebol exageraram na dose com suas peripécias. As epopeias aconteceram em série neste ano.

Pra começar vimos o Leicester, com um dos feitos mais impossíveis da história, vencer a Premier League, liderando quase do inicio ao fim da competição. Não bastasse isso, no meio do ano tivemos o título de Portugal na França, contra qualquer prognóstico, time limitado contando só com uma boa organização tática e com Cristiano Ronaldo. Isto até a final. Depois de enfrentar três vezes a prorrogação e de só ter vencido um jogo até a final, eis que se vê, logo na finalíssima, sem seu craque e quase única esperança. Eis que, como autênticos heróis, os Portugueses se organizam e não baixam a guarda contra os franceses. Seguram as pontas e, de novo na prorrogação levam o inédito título da Euro pra casa depois da grande decepção em 2004 em casa.

E agora, quem tem a chance de fazer sua história heroica é o futebol sul-americano. É bem verdade que o bicampeonato do Chile na Copa América já é algo memorável para uma nação que nunca teve um título de expressão. Mas o que o Independiente del Valle pode fazer neste ano é ainda mais inédito, bem mais até, que o fato de ser esta final a primeira sem clubes brasileiros ou argentinos na decisão da Libertadores em 25 anos.

O pequeno time de Sangolquí, Equador habitava a terceira divisão local até 2010, e só havia conquistado os títulos da terceira e segunda divisão em 2007 e 2009 respectivamente. Antes disso a mudança que iniciou o processo que leva o time a inédita final da Libertadores neste ano. Em 2006 o time foi comprado por empresários e passou a se chamar Club de Alto Rendimiento Especializado Independiente del Valle (antes era chamado Club Social y Deportivo Independiente José Terán). Mais que a mudança de nome o clube mudou de mentalidade e passou a contar uma administração extremamente profissional que visa primeiramente o lucro. O clube passou a se concentrar na revelação de talentos e no trabalho de longo prazo em campo (o atual treinador comanda o clube desde 2012). Os primeiros resultados da nova postura do clube ocorreram com a ida a primeira divisão em 2011 e o vice-campeonato da primeira divisão em 2013.

E agora na sua segunda participação na Libertadores o pequeno clube equatoriano tem a chance de conquistar o maior titulo de clubes da América. A diferença deste time para a conterrânea LDU, a única campeã daquele país, em 2008, é que a LDU é um time de tradição no Equador enquanto o del Valle chegou a primeira final de sua história. Em qualquer torneio!

Nesta edição da Libertadores, o caminho da zebra começou em casa, contra o tradicional Colo Colo com um empate. Na segunda rodada jogo difícil contra o favorito do grupo, Atlético Mineiro em Belo Horizonte. Apesar da derrota os equatorianos engrossaram o jogo. Na sequencia, duas vitórias sobre o saco de pancadas do grupo, Melgar. Depois disso os jogos que decidiram a sorte da zebra. Uma vitória surpreendente mas com autoridade sobre o Galo e um empate na decisão do segundo lugar do grupo, resultados que fizeram o del Valle terminar com uma vitória a mais que os chilenos, em segundo.

Já era algo bastante digno para um time do qual não se esperava nada. E o segundo lugar na fase de grupos os levava a enfrentar, de cara, o tradicional River Plate, atual campeão. Vitória em casa por 2×0 e derrota na Argentina por 1×0. Nas quartas outro desafio enorme para o time de Sornoza, Cabezas e  do técnico Reppeto. Contra os mexicanos do Pumas, donos da segunda melhor campanha na fase de grupos. Vitoria no Equador por 2×1 e derrota pelo mesmo placar no México. Vitória nos pênaltis por 5×3 e o time ganhando confiança na competição. Até que chega a semifinal, contra o poderoso Boca Juniors de Tévez. Aí a zebra exagerou. Vitória improvável na primeira partida, de virada, 2×1 e o maior feito até aqui: vitória de virada em plena La Bombonera, lotada, na ultima quarta, 3×2. O toque que faltava para credenciar os pequenos equatorianos a escrever a história a partir desta quarta na final.

Só quem pode impedir que a campanha fantástica do time de Sangolquí termine em título é o Atlético Nacional de Madellín. Este, por ser tradicional em Libertadores, inclusive com boas campanhas nos últimos anos, além de ser um dos maiores clubes da Colômbia, não será detalhadamente apresentado.

O clube de Medellín não estava entre os favoritos nesta edição mas ao longo da competição se impôs como o melhor clube do campeonato. Depois de uma primeira fase irrepreensível, com cinco vitórias e um empate o melhor ataque, melhor defesa e o futebol mais envolvente o time passou a ser visto como favorito ao título.

Acontece que é tradição na Libertadores que na segunda fase o torneio “recomece” e os favoritos acabam caindo. Basta ver que nas duas ultimas edições o pior classificado na primeira fase terminou como campeão. Mas o Nacional chutou essa estatística alcançando a final neste ano. Embora tenha passado sufoco nas quartas contra o fortíssimo Rosário Central, quando estava sendo eliminado até os 49 do segundo tempo, mais conhecido como ultimo lance do jogo. O golpe de sorte mostra a cara de campeão do time que depois passaria por cima do São Paulo com duas vitórias indiscutíveis, para alcançar, com toda justiça, a final.

O título, caso conquistado, seria o segundo da história dos colombianos, que venceram em 89 com o lendário time de Higuita, bancado pelo Cartel de Medellín e envolto em polêmica até o pescoço. Na ida, o 1×1 em Quito deixou tudo aberto para o jogo de volta.

Agora cabe aos dois clubes decidir que história ficará. A da zebra que foi heroica e superou grandes obstáculos para alcançar a glória improvável ou se é a do melhor time, que vence com justiça depois de passar por cima de todos.

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